19 de Outubro de 2006

A qualidade paga-se.
Eu detesto o Metro, o Destak, a Dica da Semana, o Jornal da Região e outros que tais.
Abro logo com duas frases secas.
Os gratuitos são gratuitos, mas na maioria dos casos trazem aquilo que a gratuitidade paga, ou seja, nada. Inundam-nos de publicidade e referem pela rama, com uma qualidade duvidosa e um português que dia para dia se degrada mais, notícias, para informar o povo.
Os gratuitos estão a contribuir para a quebra das vendas dos pagos (mas não só, incluindo-se a internet como um dos principais motivadores à não compra de jornais). Por ventura, quem consome os gratuitos já não seria consumidor dos tradicionais, talvez. Há quem diga que, graças aos gratuitos as pessoas lêem mais. Mas se a McDonalds passasse a oferecer as refeições em troca de publicidade nos pacotes, a junk food passava a ser boa e o mais recomendável prato do dia?
Não gosto dos gratuitos por serem folhetins com aparência de grandes.
Mas a verdade é que todo o jornalismo nacional (e neste caso refiro-me em particular ao jornalismo dos jornais, a imprensa, muito embora as critícas sejam generalizaveis), no seu aspecto global, está cada vez pior. A qualidade do português não decresce só nos gratuitos. É por todo o lado. A falta de brio profissional e o tabloidismo entranha-se. Com excepção das crónicas, muitas das notícias vêm ou de outros orgãos de comunicação, muitos dos quais estrangeiros, ou das agências. Para copiar coisas da net, dêem-nos o endereço. Por duas vezes, salvo erro no Público online, já apanhei palavras, ou trechos, em espanhol.
Não gosto dos gratuitos, como já disse, mas se os tradicionais não se dignificam, também vou passar a deixar de gostar deles.

19 de Outubro de 2006

  • Para começar nem tudo o que é de borla é mau… há imensos exemplos disso, mas acho que sabes isso perfeitamente bem. Nem vou entrar por aí!
    Mas o facto é que os modelos de negócio tradicionais se estão a desmoronar! Quer os directores-gerais queiram ou não, vão ter que mudar os modelos de negócio ou simplesmente morrem para o negócio.
    Tens imensos casos em que isso acontece! Olha o mundo da música… Ainda não se sabe como vai acabar tudo isto, mas eles estão agarrados a um modelo que já não serve e não estão a querer adaptar-se. Vão ao fundo…
    No caso do jornalismo, provavelmente vai acontecer algo do mesmo tipo. Não nos mesmos moldes, mas a exigir mudanças do mesmo tipo.
    É uma altura de mudança…