<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>blog.scheekoPanfleto em branco? &#8211; blog.scheeko</title>
	<atom:link href="http://blog.scheeko.org/2010/04/panfleto_em_branco/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://blog.scheeko.org</link>
	<description>Blog de Francisco Feijó Delgado</description>
	<lastBuildDate>Fri, 05 Apr 2024 10:21:09 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.1.1</generator>
		<item>
		<title>Panfleto em branco?</title>
		<link>https://blog.scheeko.org/2010/04/panfleto_em_branco/</link>
		<comments>https://blog.scheeko.org/2010/04/panfleto_em_branco/#respond</comments>
		<pubDate>Tue, 06 Apr 2010 05:47:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>francisco feijó delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ideias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.feijo.org/boston/panfleto_em_branco/</guid>
		<description><![CDATA[A militância pela militância, embora por vezes poderosa, tem pouco de interessante. O vazio do ateísmo é tão vazio como o vazio religioso, sendo que o vazio do ateísmo é solitário, enquanto que o religioso é acompanhado. Haverá, certamente, muitos tipos de ateísmos e o meu provém indubitavelmente da evolução do pensamento humano sobretudo devido [&#8230;]]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p><span class="post-header">A militância pela militância, embora por vezes poderosa, tem pouco de interessante. </span>O vazio do ateísmo é tão vazio como o vazio religioso, sendo que o vazio do ateísmo é solitário, enquanto que o religioso é acompanhado.</p>
<p>Haverá, certamente, muitos tipos de ateísmos e o meu provém indubitavelmente da evolução do pensamento humano sobretudo devido ao avanço da ciência. E sendo racional, tem pouco a ver com o pragmatismo e hiperrealismo que muitos lhes querem atribuir.</p>
<p>O ateísmo é apenas uma face de uma atitude que se quer muito diferente de um mero prospecto em branco. A palavra fundamental para descrever o ateísmo que defendo é evolução. A mesma de Darwin, que se manifesta no mundo natural, entre as espécies, mas que também opera a nível de consciências, sejam elas individuais e colectivas, e a nível de dinâmicas comportamentais que emergem de sistemas complexos. A espécie humana, a certa altura, parece-me, precisou de lidar com as capacidades que o seu desenvolvido cérebro lhe oferecia. Parte dessas capacidades exigiam a obtenção de explicações para o mundo que a rodeava e o mecanismo evolutivo que permitiu colmatar as falhas de processamento mental foi o da criação de uma solução satisfatória e transitória chamada Deus. Como o período de transição é grande &#8212; é preciso que ocorra o desenvolvimento de instrumentos capazes de auxiliar na procura de outra solução &#8212; há espaço para que desabrochem comportamentos e atitudes derivadas.</p>
<p>O ateísmo que defendo é, portanto, fruto de uma evolução dos tais instrumentos, que embora não dêem respostas definitivas, vão no seguimento de uma estrutura formal de desenvolvimento de conhecimento e permitem a formação de conjecturas, ou talvez apenas <em>educated guesses</em>.</p>
<p>O ateísmo como evolução, é-o na forma imaterial, isto é, não é fruto das pressões evolutivas ambientais por si só &#8212; o cérebro humano terá evoluído muito pouco ou nada nos últimos milénios, &#8212; mas fruto da evolução da estrutura de pensamento humano, dos desenvolvimentos colectivos no domínio do conhecimento objectivo e na auto-educação da consciência.</p>
<p>O ateísmo que defendo não pretende a erradicação do conhecimento humano empírico. Nem todo o conhecimento é científico e os milénios de religião têm-nos ensinado sobre a nossa própria natureza, as nossas necessidades. A evolução será feita com a selecção das aprendizagens aí obtidas.</p>
<p>O ateísmo reconhece a necessidade que o espírito tem do metafísico e do espiritual. Isso não implica a presença do sobrenatural, mas implica a necessidade da existência da dúvida, da dúvida subjectiva, pessoal e contemplativa.</p>
<p>O ateísmo reconhece a necessidade lógica e racional do funcionamento do mundo, embora nisso esteja previsto a emergência de padrões de complexidade que permitem a consciência, um elemento, por agora, metafísico, que lida com as particularidades da essência humana, ou a níveis mais básicos, dos animais.</p>
<p>O ateísmo reconhece a inexistência de um Bem ou de um Mal universal, mas apenas de convenções humanas, em que, por exemplo, o Bem humano é convencionado como o conjunto de acções que promovem a vivência feliz e segura da maioria dos elementos duma comunidade. A prevalência de uma ligeira tendência para a bondade da sociedade emerge da dinâmica complexa da coexistência dos indivíduos, em que as sociedades globalmente boas tendem a ser mais estáveis e eficientes do que as más. Penso que isto não está provado cientificamente, trata-se apenas de uma teoria minha; faço ainda notar que existem e existiram sociedades globalmente más (nazis, estalinismo, o Iraque de Saddam etc.), temporariamente estáveis, mas cuja estabilidade foi de curta duração, quando comparada com as sociedades globalmente boas, maioritárias no mundo actual. Aí se operou selecção natural e evolução.</p>
<p>O ateísmo reconhece a existência do desconhecimento humano, tal como a religião, mas não reconhece a existência de um conhecimento supranatural. Isso implica a presença da tangibilidade do desconhecido, não pela sua inacessibilidade supranatural, mas precisamente por ser natural e se encontrar, nas escalas do universo, a um degrau acima, ou degrau abaixo. No entanto esse desconhecido pode e deve ser sempre formalizável como objecto de estudo, ainda que meramente potencial, já que não existem, ainda, os instrumentos necessários para o colocar como problema em toda a sua integridade.</p>
<p>O ateísmo concede mais direitos e deveres ao homem, sendo que ambos coincidem no conceito de responsabilização. Ao homem é-lhe retirado o comando divino, sendo que lhe cabe a ele mesmo o destino.</p>
<p>O ateísmo é a promoção da dúvida existencial quantificável, procurando respostas que obedecem aos mesmos critérios da ciência e aguardando serenamente quando essas respostas não são possíveis numa dada altura do tempo.</p>
<p>O ateísmo implica o reconhecimento da materialidade e insignificância humana, rejeitando o antropocentrismo das religiões, mas celebrando as capacidades que possuímos. Não implica um desespero pela inexistência de propósito sobrenatural capaz de responder à questão da existência humana, mas sim a responsabilização de cada um, individual e colectivamente, na construção de mecanismos capazes de nos tornar aptos a lidar com os cérebros que temos, que abominam a ausência de causalidade.</p>
<p>O ateísmo em si não é nem pode ser o princípio de nada, nem o fim a alcançar. O ateísmo é apenas um passo na evolução humana, nomeadamente no raciocínio e na consciencialização das nossas capacidades e da nossa posição no universo. Como evolução é e será sempre, resultado do que existe para trás e nunca poderá ignorar isso.</p>
<p>É este o ateísmo que quero*</p>
<p><small><em>*exceptuando se me tiver esquecido de alguma coisa</em></small></p>
]]>
						</content:encoded>

	
	
	
	
			</item>
	</channel>
</rss>
