<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>blog.scheekoum bocadinho &#8211; blog.scheeko</title>
	<atom:link href="http://blog.scheeko.org/2004/01/um_bocadinho/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://blog.scheeko.org</link>
	<description>Blog de Francisco Feijó Delgado</description>
	<lastBuildDate>Fri, 05 Apr 2024 10:21:09 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.1.1</generator>
		<item>
		<title>um bocadinho</title>
		<link>https://blog.scheeko.org/2004/01/um_bocadinho/</link>
		<comments>https://blog.scheeko.org/2004/01/um_bocadinho/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 29 Jan 2004 10:50:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>francisco feijó delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.feijo.org/boston/um_bocadinho/</guid>
		<description><![CDATA[Neste mundo em que vivemos quase já não há heróis. Quer dizer, há-os, mas não são quem deviam ser. Já não há batalhas que produzam grandes generais, a ciência permite cada vez menos o trabalho individual, os líderes carismáticos são cada vez mais raros. Quem admirar? Sobre o fenómeno que acompanhou a morte de Miklós [&#8230;]]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p align=justify>Neste mundo em que vivemos quase já não há heróis. Quer dizer, há-os, mas <a href="http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=114215">não são quem deviam ser</a>. Já não há batalhas que produzam grandes generais, a ciência permite cada vez menos o trabalho individual, os líderes carismáticos são cada vez mais raros. Quem admirar?</p>
<p align=justify>Sobre o fenómeno que acompanhou a morte de Miklós Fehér, há uma questão pertinente. Porquê? Como é que tanta gente deixou os seus lares, os seus afazeres, para ir com a família prestar uma última homenagem ao jogador. E porque é que isto não aconteceu com o atleta Carlos Calado que perdeu a família num trágico acidente doméstico, ou às vítimas dos incêndios do verão, ou a qualquer outra pessoa que tenha morrido desta ou doutra maneira?</p>
<p align=justify>Bem, há o fenómeno da mediatização. Uma morte em directo é a morte em directo. É chocante. Mas para mim a verdadeira razão não é essa, embora ajude. Para mim, a razão é um pouco de egoísmo. Como? &#8211; perguntarão.</p>
<p align=justify>Fehér, caso tivesse tido a oportunidade iria provavelmente ter uma carreira mais ou menos boa e aos trinta e tal anos estaria reformado da sua profissão, com muito dinheiro e um resto de vida considerável para o gozar. Tal não aconteceu. Fehér era a projecção que muitos tinham daquilo que queriam ser: era um rapaz bonito, alto, loiro, com uma carreira promissora, numa profissão de sonho. Era tudo aquilo que nós consciente ou inconscientemente gostariamos de ser ou de ter como amigo, ou familiar. Assim a morte de Fehér foi a morte duma parte de nós, duma parte da família, dum sonho. E é por isso que as pessoas reagiram como reagiram.</p>
<p align=justify>É assim que também explico a reacção do 11 de Setembro &#8211; à parte de toda a cobertura mediática, aquelas pessoas que vimos morrer eram civis, tal como nós, e que viviam numa cidade de sonho, tinham família, tinham boas carreiras, trabalhavam num lugar bestial, era manhã de um dia solarengo.</p>
<p align=justify>Os milhares de Bam eram provavelmente quase todos pobres, viviam longe do centro do mundo, num sítio poeirento. As criancinhas esfomeadas em África, coitadas, mas sorte a minha de não ter nascido lá.</p>
<p align=justify>É por isso que as pessoas reagiram como reagiram. Não penso que seja hipocrisia, é meramente uma reacção à perda de algo que sempre consideraram ser deles. Os seus sonhos, os seus heróis. </p>
<p>Eu também fui dizer adeus a Fehér.<br />
Mas tenho ainda mais umas razões, além desta, que um dia explicarei.</p>
]]>
						</content:encoded>

	
	
	
	
			</item>
	</channel>
</rss>
