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	<title>blog.scheeko25 de Abritual? &#8211; blog.scheeko</title>
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		<title>25 de Abritual?</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Apr 2007 05:07:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>francisco feijó delgado</dc:creator>
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		<content:encoded><![CDATA[<p>Anteontem o Presidente da República, no discurso do 25 de Abril, sugeriu na Assembleia da República que se repensasse as comemorações da Revolução. As reacções foram muitas, oscilando entre a concordância (mais à direita) por se achar que tal como estão, ninguém se interessa, e a indignação (mais à esquerda) por se achar que o Presidente quer minorar Abril.<br />
Sem entrar em pormenores na análise do que o senhor Presidente disse (que infelizmente, hoje em dia, só se faz isso, pelas piores razões), acho que se confundiram duas coisas: a comemoração em si &#8211; o acto de se festejar, celebrar um acontecimento marcante e de importante simbologia &#8211; e a memória de Abril &#8211; com tudo o que representa: o antes, com o Estado Novo e o seu regime altamente repressivo e o depois, com o período revelocionário e o (in)cumprimento das promessas da Revolução. Comecemos pela segunda.<br />
A crítica mais ouvida pelos de esquerda, fossem políticos ou meros cidadãos, foi a de que o Presidente pretende contribuir para o apagamento da Revolução. Eu sou insuspeito, porque não votei no Prof. Cavaco Silva e é pública a minha falta de admiração pela sua figura, mas penso que o objectivo das suas declarações não era esse, de maneira nenhuma. Mesmo que seja verdade, como muitos disseram, que o Presidente não se sente muito à vontade neste domínio.<br />
De seguida, a segunda crítica mais ouvida, foi a de que os sucessivos governos não se esforçavam por fazer com que as crianças, nas escolas, fossem ensinadas do que foi o 25 de Abril. Francamente, vindo de quem defende que não se deve ensinar religião nas escolas, oficialmente, acho muito triste, em especial porque não ouvi rigorosamente ninguém dizer que os próprios pais é que deviam ser os primeiros a transmitir como se vivia no Estado Novo aos seus filhos. Muitos dos pais e avós de agora estão em posição priveligiada para contar como eram aqueles dias, pois são actores vivos da história, algo que é sempre raro. Em boa verdade não é só o 25 de Abril que é pouco lembrado nas escolas; é todo o século XX, já que a modernidade é sempre relegada para o fim dos programa, aquele que é dado à pressa, quando não é esquecido.<br />
Fez-me muita impressão o descartar sistemático de responsabilidades de todos quanto ouvi para cima dos governos da República e isso sim, considero um verdadeiro atentado aos valores de Abril. E quantos não preferem ver as Floribellas, em vez de ver, p.e. os programas de António Barreto e saber que antes de `74 não era permitido namorar em público? Infelizmente cada vez mais os pais descartam responsabilidades na formação dos seus filhos, em especial a moral e de valores, já que ao contrário do que o que a maioria pensa, a educação vem sobretudo de casa e da relação com a comunidade. Da escola vem sobretudo a instrução.<br />
Quanto ao outro tema que enunciei, o da comemoração em si, é sobretudo aí que concordo com o senhor Presidente da República. O problema não é tornar-se um ritual (e muitos distorceram esta parte) &#8211; lavar os dentes é um ritual; o problema é tornar-se chato. Claro que uma cerimónia protocolar na Assembleia da República é sempre chata para a maioria dos comuns. Mas a meu ver o problema não é de Abril. São todas as comemorações.<br />
É simples, perguntem às pessoas, cada vez que há um feriado, o que ele representa. Será que alguém comemora o 10 de Junho com convicção? Ou a restauração da independência? O dia mundial da Paz (1 de Janeiro)? O dia do trabalhador? E os tantos feriados religiosos? Sim, o que há mais é jovens na rua a aplaudir a assumpção de Nossa Senhora. No fundo, no fundo, já poucos são os feriados que se celebram pelos motivos tradicionais, e mesmo aqueles que o são, são-no na sua versão materialista e pouco ou nada idealista.<br />
Nós temos muito pouco jeito para as solenidades. Não temos rituais (não chatos) quase nenhuns. Já ninguém faz juramentos de bandeira, ninguém se levanta quando entra um professor, tira o chapéu dentro de casa, pede a benção ao avô, ninguém tem de saber o hino. Bolas, eu fiz uma licenciatura e não houve cerimónia nem na chegada, nem na partida, nem uma palavrinha, ou um discurso daqueles chatos do senhor Reitor! E as poucas cerimónias solenes que temos são quase que ridicularizadas, como no 10 de Junho.<br />
Há tempos discutia com um amigo sobre a necessidade de alguma formalidade neste tipo de coisas. Não é que seja um burocrático da protocolaridade cerimonial, mas sou um defensor da distinção. E a solenidade é uma distinção e mesmo que seja ritual, quebra o ritual do dia-a-dia. O ser humano, diga-se o que se quiser, é um animal de hábitos e as solenidades são hábitos que marcam as nossas vidas. Já repararam que comemorar um aniversário não é nada mais, nada menos que celebrar o dia em que a Terra deu mais uma volta em torno do Sol, desde que nos deram à luz? Ridículo, não é? Até terá algo de pagão. Mas é muito importante para a grande maioria de nós &#8211; os outros lembram-se de nós, nós lembramo-nos de nós e paramos, ainda que um bocadinho, para pensar: que diacho, estou mais velho! Mas lembramo-nos, porque quem não se lembra esquece e sejam ou não estúpidas, as solenidades servem para isso mesmo: para lembrar, para marcar passo, para não esquecer. Por isso tornemo-las o mais agradável possível.</p>
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