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	<title>blog.scheekoTudo o que vale a pena exige esforço &#8211; blog.scheeko</title>
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	<description>Blog de Francisco Feijó Delgado</description>
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		<title>Tudo o que vale a pena exige esforço</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Jun 2007 22:44:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>francisco feijó delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palavras]]></category>

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		<description><![CDATA[Deixo aqui um texto do Prof. Jorge Buescu, saído no Público e publicado no De Rerum Natura Tudo o que vale a pena exige esforço. E quanto mais vale a pena, mais esforço exige. Isso é particularmente verdade sobre a Matemática: se investirmos um esforço pequeno sobre as matérias, ficando com um conhecimento superficial, de [&#8230;]]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Deixo aqui um texto do Prof. Jorge Buescu, saído no Público e publicado no <a href="http://dererummundi.blogspot.com/">De Rerum Natura</a></p>
<blockquote><p>
Tudo o que vale a pena exige esforço. E quanto mais vale a pena, mais esforço exige. Isso é particularmente verdade sobre a Matemática: se investirmos um esforço pequeno sobre as matérias, ficando com um conhecimento superficial, de pouco ou nada nos valerá o “esforço”.<br />
A Matemática não se aprende na Wikipedia ou navegando pela Internet. Exige pensamento, estudo, concentração, treino e algo para que nos últimos 2500 anos não se inventou substituto – o contacto humano. Aquilo a que normalmente se chama aulas.<br />
Não sei se isto parece aborrecido, mas é a melhor (se não mesmo a única) maneira de aprender Matemática. E aprender é não só uma aventura maravilhosa, como tem no final o pote de ouro da compreensão do mundo. E para transformar o Mundo, é preciso primeiro compreendê-lo.<br />
Isaac Asimov, num conto com mais de cinquenta anos publicado nos <i>Nove Amanhãs</i>, relata a seguinte história. Num futuro imaginário, as crianças brincam 364 dias por ano e um dia por ano o seu cérebro fica ligado a uma máquina com discos que lhes administram automaticamente todos os conhecimentos de que necessitam. Assim fazem toda a escolaridade e aprendem tudo o que precisam, da primária à Universidade. Todos menos um rapazito.<br />
Desde os 7 anos de idade este rapaz foi obrigado a aprender à maneira antiga: estudando, tendo aulas, esforçando-se, compreendendo, investindo o seu tempo. Enquanto os seus amigos brincavam 364 dias por anos, ele estudava. E assim foi, para sua grande frustração, incompreensão e mesmo revolta, até à idade adulta.<br />
Nessa altura foi chamado pelas classes governantes da sociedade. Começa por expor toda a sua revolta. Porque é que me trataram assim? Porque é eu tive de me esforçar para aprender por mim próprio tudo aquilo que ensinaram aos outros sem esforço? E a resposta foi “Porque tu foste escolhido para escrever os próximos discos”.<br />
O pote de ouro da Matemática é o seguinte: todos os grande avanços científicos e tecnológicos implicam a utilização de novas ferramentas matemáticas. Para dar um exemplo recente que muitos de nós temos nas mãos, uma desconhecida empresa de indústria pesada, que fabricava pneus e pasta de papel, decidiu no final dos anos 60 virar-se para as telecomunicações. Estava num país com enorme densidade de pessoas altamente qualificadas do ponto de vista científico, técnico e matemático, e os grandes problemas matemáticos estavam a surgir. Era uma altura estratégica para entrar.<br />
O país era a Finlândia. A empresa era a Nokia, hoje o gigante mundial de telemóveis. Continua a fabricar pneus, embora quase ninguém saiba. Mas para isso não é preciso Matemática mais sofisticada do que a do século XVIII, e não é por isso que a Nokia é conhecida (o leitor conhece alguém que use pneus Nokia no carro?). Para inovar verdadeiramente é necessário estar em condições de criar Matemática nova (e Física, e Química, e Engenharia). Enquanto seres humanos isso transporta-nos a altitudes nunca antes imaginadas &#8211; é como descobrir um Evereste pessoal para escalar. Só isso já compensa o esforço. E no fim da escalada pode estar um verdadeiro pote de ouro. Mas só está lá para quem se esforçar a descobri-lo.
</p></blockquote>
<p>O Prof. Jorge Buescu foi meu professor de Análise Numérica no IST. Sempre foi dos professores mais admirados (por mim e pelos meus colegas). Mas o que mais me influenciou foi as palavras que proferiu num jantar da <a href="http://www.ajc.pt/">Associação Juvenil de Ciência</a>, então sob a presidência do meu colega de curso <a href="http://www.damtp.cam.ac.uk/user/gr/about/members/monteiro.html">Ricardo Monteiro</a>. As palavras exactas não as sei. Mas foram na linha do que afirma o que o texto transcrito acima. Palavras de motivação, de esforço e sobretudo de promessas de verdadeiro prazer na descoberta e no fim desse caminho. Juntas com as palavras de Feynman no fim de um dos livros das suas <i>Lectures on Physics</i>, continuam a ser as melhores palavras de motivação, verdadeiramente sinceras, que já ouvi e que ainda hoje me servem de referência.</p>
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