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	<title>blog.scheekoSobre a abstenção &#8211; blog.scheeko</title>
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	<description>Blog de Francisco Feijó Delgado</description>
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		<title>Sobre a abstenção</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jul 2007 03:11:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>francisco feijó delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre que há eleições vem (naturalmente) à baila a questão da abstenção. Ultimamente tem tido tendência a aumentar, sendo apenas relativamente baixa quando as eleições são motivadoras, ou pelo menos disputadas (a nível da opinião pública, diga-se). No entanto, até agora, nenhuma das explicações acerca do fenómeno me satisfez. Há sempre os eleitores fantasma, as [&#8230;]]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre que há eleições vem (naturalmente) à baila a questão da abstenção. Ultimamente tem tido tendência a aumentar, sendo apenas relativamente baixa quando as eleições são motivadoras, ou pelo menos disputadas (a nível da opinião pública, diga-se).<br />
No entanto, até agora, nenhuma das explicações acerca do fenómeno me satisfez. Há sempre os eleitores fantasma, as férias, a conjectura, mas ultimamente a mais badalada tem sido a muito apregoada má qualidade da política e dos políticos nacionais. Apontam esta como a principal razão da falta de interesse dos portugueses.<br />
Em primeiro lugar, devo dizer que acredito que a não ida às urnas tenha grandes efeitos no resultado. Não creio que os abstencionistas tomem esta posição, na maioria dos casos, por serem contestatários ideológicos. Assim, tendencialmente, as votações iriam no mesmo sentido, sofrendo da mesma partidarização, dos mesmos preconceitos ou dos mesmos tiques sociais. E se as sondagens, com pouco mais de um milhar de inquiridos acertam no resultado de 5 milhões, acho que não é por vir mais um ou outro milhão votar que os resultados seriam muito diferentes. No entanto esta é uma conjectura minha, sem qualquer prova científica ou sociológica.<br />
Há dias, no Diário de Notícias, <a href="http://dn.sapo.pt/2007/07/16/opiniao/as_exequias_lisboa.html">Pedro Lomba</a> comparava o estado da política como o de um teatro que põe em cena peças sem o mínimo interesse, e que é incapaz de cativar o seu público. Não posso de deixar de discordar com esta comparação. Nem a política é uma peça passiva, nem o &#8220;público&#8221; se pode abster daquilo que lhe diz respeito.<br />
A abstenção, a meu ver, não é mais do que um dos vários reflexos da cada vez mais acentuada auto-desresponsabilização dos portugueses. Ninguém se pode excluir dos assuntos que lhe dizem respeito, nem demitir-se das suas obrigações, muito menos daqueles que traçam o futuro das suas vidas, do seu país e da sua sociedade.<br />
Não digo que todos devam assumir cargos políticos, mas a participação é obrigatória, por mais pequena que seja. E, neste caso, a abstenção não é mais que uma das faces desta total falta de interesse e de participação. É exactamente o mesmo que as pessoas se envolverem irresponsavelmente em relações, o mesmo que chumbarem, ou deixarem chumbar os seus filhos, vezes sem conta, sem justificação e sem brio. É o mesmo que atribuir às escolas e aos professores toda a responsabilidade da instrução e da educação dos filhos. É o mesmo que se queixar permanentemente dum Estado ausente e irresponsável, Estado esse que podendo, mesmo que relativamente, influenciar, nem se digam a tentar intervir</p>
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