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	<title>blog.scheekoMundo fora, no interior do Brazil &#8211; blog.scheeko</title>
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	<description>Blog de Francisco Feijó Delgado</description>
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		<title>Mundo fora, no interior do Brazil</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Feb 2008 21:57:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>francisco feijó delgado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje o tempo é escasso, mas quero deixar um texto muito bem escrito pelo Daniel. O Daniel é um amigo meu, colega de curso, e desde Setembro do ano passado anda a viajar pela América do Sul. Confesso que me tenho sentido um pouco revoltado com a situação por estas bandas. A falta de conhecimento, [&#8230;]]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje o tempo é escasso, mas quero deixar um texto muito bem escrito pelo <a href="http://primaprimavera.blogspot.com/2008/02/as-pessoas-no-norte-do-brasil.html">Daniel</a>. O Daniel é um amigo meu, colega de curso, e desde Setembro do ano passado anda a viajar pela América do Sul.</p>
<blockquote><p><em>Confesso que me tenho sentido um pouco revoltado com a situação por estas bandas. A falta de conhecimento, as falhas na educação das pessoas ultrapassa o tolerável. Não culpo tanto as pessoas, mas mais um sistema de ensino que não funciona ou que provavelmente não se interessa em funcionar. Professores de inglês que não sabem falar inglês é um bom indício de que algo está errado.<br />
Por aqui, expresso-me sempre em português de Portugal. Esforço-me para falar devagar de modo a ser compreendido, mas falo o português de casa. Fico admirado quando me perguntam se sou alemão (até porque me pareço muito com um alemão). Muitos acham estranho quando digo que sou português, pois pensavam que &#8220;português&#8221; era apenas o nome de uma língua e não tanto o nome dado aos habitante de um país, Portugal. Envergonho-me quando tenho que explicar ao brasileiro onde fica Portugal. Explico da seguinte forma: &#8220;sabes onde fica Belém?&#8221; e aí normalmente vejo uma cara como de quem já ouviu falar mas não sabe muito bem. &#8220;Pois então partes de Belém, atravessas todo o mar até ao outro lado e aí és bem capaz de chegar a Portugal. Fica a milhares de kilometros daqui.&#8221;. Não me arrisco a muito mais do que isto. Nós, portugueses, estamos bem habituados a que não saibam onde fica o nosso país. Mas que o brasileiro não tenha sequer ideia de que o país existe, isso já é mais complicado de aceitar. Eu não peço a ninguém que se eduque. Por exemplo, nem me passa pela cabeça censurar um elemento de uma tribo amazónica por não saber que a terra é redonda. Por outro lado, quando vejo aqui as pessoas com grandes telemóveis, toda a gente com um endereço email e com uma conta no orkut. Gente vaidosa viajando com cinco pares de sapatos. Gente que embora tudo isto não tenha a menor ideia acerca da história do Brasil a não ser o que compreende da televisão, das telenovelas. Gente que pergunta a espanhois se são paulistas. Enfim&#8230; confesso que me enche de revolta, não pelas pessoas, mas por um sistema com graves falhas. O que sabem acerca de Portugal é o que o Jô Soares transmite. Ou seja alguns estereotipos, a história do &#8220;Ora ora, pois pois&#8230;&#8221;. Sempre que digo que sou português, lançam-me um &#8220;Ora ora pois pois&#8221;. É que acham que nós constantemente dizemos essa frase desprovida de sentido. Fazem por vezes também um pequeno sorriso, lembrando-se duma ou outra anedota acerca de portugueses estúpidos e ignorantes. O que é aliás bastante irónico, tendo sobretudo em conta a pessoa com quem falo.<br />
Quando é a hora da telenovela, o Brasil pára em frente à televisão. É frequente chegar a um restaurante a essa hora e dar-me conta que o &#8220;garçon&#8221; não me liga nenhuma porque está absorto na novela. O telejornal é sensacionalista a níveis inimagináveis. O Big Brother é rei aqui. Em São Luís, quis comprar um livro. Dirigi-me a um centro comercial, encontrei alguns alfarrabistas. Procurei lá livros, mas era quase tudo ou espiritual ou de autoajuda. Não me interessou. O meu amigo, israelita, claro que não ia comprar um livro em português e não ia encontrar um livro em hebreu. Perguntou se havia livros em inglês. Disso nada. Em nenhuma parte conseguiu encontrar um só livro em inglês. Mas é que nem pensar. Dirigi-me a um centro comercial. Cheio de lojas de roupa de marca. Bem caras por sinal. No canto mais recôndito do centro, lá encontrei uma livraria. Só um livro me chamou a atenção, pois não sou muito virado para livros espirituais ou religiosos. Sorte foi ser um bom livro a que já me referi noutro artigo. Em Santarém, também procurei um livro. Lojas de tudo encontrei eu. É o regresso às aulas: cadernos por toda a parte. Mas livros&#8230; não. Uma livraria só: livros escolares, espirituais e de autoajuda. Se calhar não procurei nos sítios certos. Ou então, estarei mal habituado?<br />
Vendo e conversando com as crianças, a revolta aumenta mais ainda. As crianças são curiosas. No barco, juntavam-se à nossa volta com perguntas, querendo saber mais. Encontrei um mapa do mundo com o qual dei uma lição de geografia a um miúdo de 13 anos. Este jovem, inteligente, não tinha medo de fazer perguntas, e via-se a vontade que tinha de aprender. Infelizmente. A mim pareceu-me um desperdício. Não imagino as suas capacidades sendo aproveitadas. Muitos dos passageiros não estavam apenas de passeio: muitos deles iam para Manaus começar uma nova vida. Um ia para a Guyana Francesa recomeçar do zero. Encontra-se ambição e vontade nesta gente, uma ambição e uma coragem que dão prazer de ver e sentir: a esperança na qual sabe tão bem nadar. Mas com as falhas na educação, as possibilidades oferecidas a esta gente acabam por ser limitadas.<br />
Torna-se ainda pior quando me apercebo que a ignorância é mais que tudo uma ferramenta política, uma ferramenta de opressão. Fomentada e financiada. Dão-lhes futebol, cachaça e sexo. Não é necessário mais nada para viver uma vida tranquila.<br />
E no meio de tanta ignorância, não é de admirar a total falta de respeito pela natureza. Os outros passageiros do barco atiravam lixo borda fora com total desprezo. Beatas, latas de cerveja, garrafas de plástico, tudo&#8230; não importava nada. Porque não atirar as coisas para o rio: não há entraves. O desprezo era tão grande que não havia nada a dizer, nada a fazer; mesmo que tentasse dizer a alguém para não fazer isso e lhe tentasse abrir os olhos, julgo que a pessoa irá olhar para mim admirada, sem compreender porque estava eu com essa conversa. E quando o desprezo chega a estes níveis, também não admira que haja tantos lenhadores ilegáis e orgulhosos de o serem. Havia um que só falava disso no barco, bêbedo e feliz por o seu negócio ser rentável. Quando confrontado com a falta de moral da sua profissão, ele respondia que não havia problema que a Amazónia era grande e ele não iria fazer diferença. Actualmente fala-se em 40% da amazónia brasileira desflorestada, não?<br />
Peço desculpa se neste artigo pareci um pouco arrogante. Eu tenho esperança nas pessoas, e um dos motivos desta viagem foi exactamente verificar se valia a pena. Em muitos lugares senti que sim, mas aqui os problemas estão tão enraizados, são tão profundos que só uma verdadeira revolução social poderá alterar o futuro desta gente. Acredito que educando esta gente, o Brasil e o Mundo mudarão. Mas a plebe será sempre plebe, e é assim que queremos ter as coisas, não é?</em></p></blockquote>
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