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	<title>blog.scheekoFast slow food? &#8211; blog.scheeko</title>
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	<description>Blog de Francisco Feijó Delgado</description>
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		<title>Fast slow food?</title>
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		<comments>https://blog.scheeko.org/2011/12/fast-slow-food/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 12:18:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>francisco feijó delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nos EUA]]></category>

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		<description><![CDATA[No A Douta Ignorância, o Rui Passos Rocha interroga-se sobre os hábitos alimentares e de restauração dos americanos. Vivendo nos Estados Unidos, acho que posso dar uma ou outra contribuição, de experiência própria. Refiro que vivo em Boston, num sítio onde há poucos gordos e a consciência é grande em tudo o que se refere [&#8230;]]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>No <a href="http://http://adoutaignorancia.blogs.sapo.pt/268143.html">A Douta Ignorância</a>, o Rui Passos Rocha interroga-se sobre os hábitos alimentares e de restauração dos americanos.</p>
<p>Vivendo nos Estados Unidos, acho que posso dar uma ou outra contribuição, de experiência própria. Refiro que vivo em Boston, num sítio onde há poucos gordos e a consciência é grande em tudo o que se refere a bio, orgânico, saudável, etc.</p>
<p>A verdade é que a fast food não é mais cara que uma refeição saudável. Nominalmente, como indica a <a href="http://www.nytimes.com/imagepages/2011/09/24/opinion/sunday/20110925_BITTMAN_MARSHgph.html?ref=sunday&amp;pagewanted=all">infografia</a> do New York Times, sim, é, mas a alternativa implica cozinhar em casa e isso tem um investimento temporal significativo (além do cozinhar, há ainda que fazer a limpeza e antes disso, ir comprar tudo) e muitos americanos consideram esse investimento como elevado:</p>
<blockquote><p><em>The core problem is that cooking is defined as work, and fast food is both a pleasure and a crutch.</em><br />
<a href="http://www.nytimes.com/2011/09/25/opinion/sunday/is-junk-food-really-cheaper.html?pagewanted=all"><small>NY Times</small></a></p></blockquote>
<p>Depois há ainda o que eu chamo a infantilização da comida. A grande maioria dos americanos, mesmo que compre os ingredientes e cozinhe em casa, não vê espinhas no peixe, cabeças no camarão, ossos na carne, a não ser nos T-bones e nas &#8220;Chicken Wings&#8221; (as verdadeiras, porque há algumas que nem sequer ossos têm). As uvas não têm grainhas e as melancias não têm caroços. E depois há a adocificação dos pratos: <em>honey glazed</em>, <em>sweet and sour</em>, <em>caramelized</em>. Tudo estratégias que, directa ou indirectamente, tornam este tipo de comida mais apetecível e mais fácil de agradar. Isto sem falar das promoções, cupões e outras técnicas de marketing.</p>
<blockquote><p><em>This addiction to processed food is the result of decades of vision and hard work by the industry</em>.</p></blockquote>
<p>A seguir, o Rui Passos Rocha questiona a possibilidade de se mudar os hábitos das pessoas:</p>
<blockquote><p>Uma alternativa a isso será mudar todo o sistema económico de modo a que todos trabalhem menos horas e haja tempo para refeições prolongadas</p></blockquote>
<p>Isso é o equivalente ao pedir que se &#8220;mudem as mentalidades&#8221;, porque, de facto, o próprio conceito de comer é muito diferente do português. Comer é muito menos um acto social – ao almoço não é mais que uma necessidade fisiológica – e desde pequenas que as crianças são ensinadas assim. Isto agrava-se em ambientes de trabalho em que as pessoas comem em frente ao computador, ou pelo facto de muitos jovens saírem de casa muito cedo e cedo deixarem de comer comida normal.</p>
<p>Finalmente apresenta a ideia de «tornar rápida a slowfood»:</p>
<blockquote><p>Uma ideia, que nunca vi aplicada (o que significa uma de duas coisas: que de tal modo brilhante que tive uma ideia absolutamente nova; ou que sou um idiota e isto seria a ruína para qualquer negócio), seria a de tornar rápida a slow food: um restaurante permitiria a reserva online de lugares, com pré-pagamento, e essa reserva seria tão mais cara por quanto mais tempo o cliente o lugar. Seria como no pré-pagamento de assentos de autocarro: quem marca sabe de antemão que lugares estão disponíveis e a que hora.</p>
<p>Como a comida foi reservada, à hora determinada pelo cliente o almoço/jantar está pronto e ele tem os 15, 30 ou 45 minutos que reservou. As refeições seriam saudáveis e os pedidos personalizáveis pela internet. E claro, os preços seriam ligeiramente mais baixos do que os da fast food. Tenho apenas sérias reservas quanto à marcação do tempo: se um cliente excedesse o seu tempo e outro tivesse direito a ocupar-lhe o lugar, ele teria de ser obrigado a terminar a refeição a meio&#8230;</p></blockquote>
<p>Embora não seja o mais comum, existem muitos sítios que já fazem reservas dessa maneira (o online é banal, no que diz respeito aos lugares, não tanto quanto ao pedido em si). Lembro que é raro que um restaurante deixe ocupar uma mesa reservada antes de todos os comensais chegarem ao restaurante. Alguns têm até limites de tempo, mas são mais prolongados e geralmente apenas para evitar que os clientes passem a tarde na varanda, ou algo de semelhante.</p>
<p>No entanto, relativamente ao sentar, penso que a questão é a seguinte: a partir do momento em que alguém se senta e é servido, passa a pagar gorjeta. Aí incluem-se imediatamente 15% a 20% a mais para o criado. Na verdade, não há o hábito de se sentar à mesa ao almoço, a não ser em restaurantes de baixo custo, em que não há criados, nem mesas marcadas, nem reservas.</p>
<p>Mesmo sem a gorjeta, um restaurante que cozinhe comida &#8220;normal&#8221;, terá ainda de incluir o custo de produção, confecção e logística, que não estão incluídos nos preços da mera compra de ingredientes mostrado na infografia do NY Times.</p>
<blockquote><p><em>But I sense a significant accounting error: They omit the cost of labor for the home-cooked meal and include it in the fast-food alternative, which comes begging to be inhaled immediately, no postprandial dish-doing necessary.</em><br /><a href="http://motherjones.com/tom-philpott/2011/10/cooking-really-cheaper-junk-food-mark-bittman"><small>Mother Jones</small></a></p></blockquote>
<p>Ir comprar produtos ao mercado tem um custo, que é minimizado na produção em massa e por toda a economia de escala por detrás das grandes cadeias. Embora não tenha dados concretos, imagino que essa larga escala não é compatível com comida de qualidade. E penso que tudo acaba por passar por aí: aliando o preço baixo à falta de disponibilidade para cozinhar, decréscimo da sofistição alimentar e diminuição do aspecto social do acto, para um americano, a fast food é a comida mais barata.</p>
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