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	<title>blog.scheekoNovamente as vagas &#8211; blog.scheeko</title>
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	<description>Blog de Francisco Feijó Delgado</description>
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		<title>Novamente as vagas</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Sep 2013 09:25:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>francisco feijó delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comum]]></category>

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		<description><![CDATA[No ano passado, perante o desfasamento entre o número de candidatos ao Ensino Superior e as vagas disponibilizadas, fiz uma pequena análise para perceber a capacidade de prever o número de estudantes no Ensino Superior através da natalidade. Desse modo talvez se pudesse dimensionar melhor a oferta de vagas. Fiz um modelo para prever o [&#8230;]]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>No ano passado, perante o desfasamento entre o número de candidatos ao Ensino Superior e as vagas disponibilizadas, fiz uma pequena <a title="Ensino Superior: Vagas e Candidatos" href="https://blog.scheeko.org/2012/08/ensino-superior-vagas-e-candidatos/">análise</a> para perceber a capacidade de prever o número de estudantes no Ensino Superior através da natalidade. Desse modo talvez se pudesse dimensionar melhor a oferta de vagas. Fiz um modelo para prever o número de alunos que termina o ensino secundário a cada ano, mas concluí que esse parâmetro por si só não é suficiente:</p>
<blockquote><p>Desta forma, este parâmetro não é suficiente para prever o número de vagas a serem criadas, já que à medida que o grau de instrução da população aumenta – de forma idêntica ao que aconteceu com o ensino secundário – prevê-se que aumente a proporção de alunos que procura o ensino secundário. Assim, a baixa de natalidade é contrariada por aumento da percentagem de alunos que prosseguem os estudos.</p></blockquote>
<p>No entanto, o parâmetro serviu para olhar para o número relativo de vagas e candidatos por aluno que termina o secundário e daí extrair algumas considerações. Além disso, observei que há uma enorme correlação entre o número de candidaturas e a média do exame de matemática A. Na altura fiz as seguintes previsões:</p>
<blockquote>
<ol>
<li>o facto de ter havido <strong>o programa “Novas Oportunidades” não se traduz em mais pessoas a procurar o ensino superior</strong>. Não vimos aumento devido aos que certificaram o secundário e não veremos, também, aumento nos próximos anos, devido aos que certificaram o básico e que teriam, posteriormente, completado o secundário.</li>
<li><strong>não havendo alteração de dificuldade dos exames/programas, teremos uma estabilização do número de candidatos em cerca de 45.000/ano até 2017</strong> (cerca de 40% da população que acaba o 12º ano), por ventura ainda um ligeiro decréscimo para o ano. Esta minha previsão significa que <strong>o único factor de aumento da proporção dos alunos que prosseguem estudos superiores tem sido exclusivamente a dificuldade dos exames</strong>. Em particular, não vejo influência da conjuntura económico-financeira, mas o modelo é validado com os dados relativos a 2000–2012 altura em que, verdadeiramente, só nos últimos 2–3 anos as coisas se tornaram realmente más. Há no entanto potencial para ficar pior, o que muito possivelmente faria diminuir o número de alunos que seguem para o ensino superior.</li>
<li><strong>se o número de vagas continuar a variar da mesma forma e, novamente, o grau de dificuldade não variar, a disparidade entre a procura e a oferta vai continuar a aumentar</strong>. É possível que isso não se venha a ver, uma vez que já há notícias de <a title="Vagas congeladas no ensino superior. Universidades têm de provar empregabilidade" href="http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=25&amp;did=66027">congelamento de vagas</a>.</li>
</ol>
</blockquote>
<p>Utilizando o modelo do ano passado (só com valores relativos à primeira fase), vemos uma vez mais que a média do exame de matemática A se correlaciona muito bem com o número de candidatos:</p>
<div id="attachment_1384" style="width: 660px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://blog.scheeko.org/wp-content/uploads/2013/09/fig4_dif_2013-2.png"><img aria-describedby="caption-attachment-1384" decoding="async" class="size-full wp-image-1384" alt="Rácio entre vagas e número alunos que terminam o 12º ano e entre candidatos e número de alunos que terminam o 12º ano. Comparação com as médias da prova de matemática A. " src="https://blog.scheeko.org/wp-content/uploads/2013/09/fig4_dif_2013-2.png" width="650" height="455" srcset="https://blog.scheeko.org/wp-content/uploads/2013/09/fig4_dif_2013-2.png 1300w, https://blog.scheeko.org/wp-content/uploads/2013/09/fig4_dif_2013-2-500x350.png 500w, https://blog.scheeko.org/wp-content/uploads/2013/09/fig4_dif_2013-2-1000x700.png 1000w" sizes="(max-width: 650px) 100vw, 650px" /></a><p id="caption-attachment-1384" class="wp-caption-text">Rácio entre vagas e número alunos que terminam o 12º ano e entre candidatos e número de alunos que terminam o 12º ano. Comparação com as médias da prova de matemática A. As cores de fundo representam &#8220;eras&#8221; de diferentes graus de dificuldade no exame nacional.</p></div>
<p>As três previsões essencialmente confirmaram-se: </p>
<ol>
<li>Continuamos a não ver o programa &#8220;Novas Oportunidades&#8221; a contribuir para o aumento de alunos no Ensino Superior.</li>
<li>A  correlação do número de candidatos com o &#8220;nível de dificuldade&#8221; do exame de matemática continua a verificar-se, essencialmente nos mesmos termos. É certo que este &#8220;nível de dificuldade&#8221; pode englobar outros parâmetros. Para referência, a <a href="http://www.publico.pt/sociedade/noticia/spm-satisfeita-com-exame-de-matematica-a-1598382" title="SPM">Sociedade Portuguesa de Matemática</a> considerou que o exame teve “um nível de exigência semelhante ao realizado no ano passado”, ao passo que a <a href="http://expresso.sapo.pt/professores-de-matematica-chumbam-exame-do-12-ano=f816411" title="APM">Associação de Professores de Matemática</a> considerou o exame &#8220;bem mais difícil e extenso do que no ano passado&#8221;. Não tenho nenhum mecanismo de controlo para despistar se, por exemplo,  a conjectura económica influencia directamente o sucesso académico dos alunos, sendo que poria pressão directamente na nota. Custa-me a crer, mas não tenho nenhum controlo para invalidar esta hipótese. </li>
<li>Continuamos a ver a disparidade entre o número de vagas e candidatos a aumentar. Isto deve-se não só ao meu postulado aumento de dificuldade dos exames, mas também é devido à não persecução duma política de racionalização da oferta de vagas. Embora estas tenham diminuido cerca de 1,6%, o número de alunos colocados na primeira fase no ano passado diminui 4,4%. Já no ano anterior o número de colocados na primeira fase tinha diminuido 7,3%, mas as vagas só diminuiram 2,3%. Este ano os colocados de primeira fase voltam a diminuir cerca de 7,4%. Como o gráfico indica, o <em>superavit</em> de vagas continua a engrossar, especialmente tendo em conta o número relativo à <em>pool</em> de possíveis candidatos.</li>
</ol>
<p>No ano passado o governo <a href="http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=25&#038;did=66027">impunha</a> que não fossem abertos &#8220;cursos com menos de 20 vagas, a não ser que preparatórios de Artes ou resultantes de protocolos internacionais, que não sejam financiados pelo Estado ou quando se prove a sua &#8220;especial relevância&#8221;, entre outras excepções.&#8221; Este ano o Público <a href="http://www.publico.pt/sociedade/noticia/cerca-de-30-dos-cursos-superiores-receberam-10-ou-menos-alunos-1605231">adianta</a> que &#8220;30% dos cursos ficaram com dez ou menos candidatos colocados&#8221;. </p>
<p>Claro, nesta notícia do Público há o normal apontar de dedos: o Bastonário da ordem dos engenheiros a dizer que se criaram cursos de engenharia como &#8220;cogumelos&#8221; – em parte é verdade, mas é mais substancial a quebra de alunos a entrar no Ensino Superior e, se eu tiver razão no que diz respeito à correlação com o grau de dificuldade dos exames, o número de alunos universitários foi artificialmente aumentado entre 2007 e 2010. Podemos comparar os números de 2013 com 2000: as vagas aumentaram 10%, ao passo que o número de candidatos (de primeira fase) é 23% menor. Na altura eram colocados 76% desses candidatos, agora 93%. Posto isto, não há dúvida: há que se redimensionar a oferta.</p>
<p>A segunda voz é a do sindicalista Mário Nogueira que diz que “desde que os governos começaram a fazer aumentar o desemprego dos professores e desvalorizaram as carreiras, criaram um clima de instabilidade e precariedade enormes” para explicar a redução das taxas de ocupação de cursos na área da formação de professores e ciências da Educação. Não digo que não seja verdade, mas mais verdade é aquilo que disse acima: há menos alunos, logo precisamos de menos professores. E basta olhar para o <a href="https://blog.scheeko.org/wp-content/uploads/2012/08/fig11-500x517@2x.png" target="_blank">gráfico</a> do número de alunos no ensino básico e secundário – há pouco a fazer com a natalidade que temos.</p>
<p>Resta-me dizer que mantenho as previsões do ano passado para o o próximo ano, sendo que não tenho maneira de tentar adivinhar o tal &#8220;nível de dificuldade&#8221; dos exames, pelo que não posso dar números concretos.</p>
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