Basta! A Carla Hilário Quevedo é horrível! Já aqui tinha dito que ouço o Um Certo Olhar, um programa semanal da Antena 2, com Luísa Schmidt, Francisco José Viegas e Carla Hilário Quevedo. É uma discussão, uma análise dos eventos da semana, e só pelo FJV vale a pena ouvir. Também já aqui disse que esta última é claramente o elo mais fraco do programa. No entanto, quanto mais ouço, mais sei que não é apenas o elo mais fraco: todo o seu repertório é muito fraquinho. Depois de semanas a debitar pérolas, como o facto de se aumentar a escolaridade obrigatória até ao 12º ano ao menos mantém os alunos ocupados, desta feita recomendou o Zohan como sendo, e cito:
É uma comédia maravilhosa.
Para quem não viu (recomendo desde já que o não veja, a Elsa não me perdoa que tenha chegado ao fim), trata-se de uma comédia com Adam Sandler em este que faz o papel dum ex-militar israelita que vai para Nova Iorque tentar a sua sorte como cabeleireiro, sonho de longa data e porque está farto da guerra. Entre várias peripécias lá consegue alcançar o sucesso, porque conquista a clientela (maioritariamente supra-sexagenária) pela qualidade dos seus tratamentos capilares, mas sobretudo pelos tratamentos sexuais complementares. Sim, é isso mesmo, um cabeleireiro a desenferrujar as velhinhas das redondezas ao mesmo tempo que salva o mundo ou coisa parecida. Se soa a muito desagradável é porque o é.
E porque é que venho aqui verter a minha indignação? Primeiro, porque, apesar de nunca ter lido nada do que a senhora escreve, sabia que tem um blog chamado A Bomba Inteligente. Já o tinha referido quando falei de podcasts, mas não o cheguei a ir ver. Desta vez resolvi ir, podia ser que tivesse… ouvido mal. Mas não, lá está:
You Don’t Mess With The Zohan (e à terceira tentativa, um filme magnífico).link
Continuei a ver as recomendações da senhora, mas parei quando disse:
Tropic Thunder (uma espécie de Zoolander na guerra; Robert Downey Jr. brilhante; sem dúvida o melhor filme de Tom Cruise; a-mei).link
Não sei se o que mais me arrepiou, se dizer que é sem dúvida o melhor filme do Tom Cruise (e eu até achei uma certa piada ao filme), se dizer que a-mou.
O segundo motivo que me leva a trazer isto aqui é para deixar um apelo aos restantes membros do programa: FUJAM! Eu pelo sim, pelo não, vou pôr um sonoro pi sempre que a senhora fala.
Não conheço em profundidade, nem sou capaz de avaliar a validade do pacote Obama (até porque só descobri o site agora), mas é impressionante o esforço de divulgação ao público:
Dirão, uns, que fará parte do marketing político. Provavelmente, em parte; ainda assim, não me importaria que todos os governantes fossem assim. Já agora, eu sei que é de todo incomparável, mas vale a pena ouvir Xanana Gusmão sobre estes assuntos (nomeadamente a compra de material militar) na entrevista que deu à Maria Flor Pedroso, da última vez que esteve em Portugal.
Provavelmente o melhor programa de rádio falada que existe, o This American Life de Ira Glass, pôs no ar novamente, em Dezembro passado, a história de Carlton Pearson, um pastor evangelista de Oklahoma. Era um daqueles maga-pregadores que defendia o evangelho como único meio de salvação, que livrava os fiéis de demónios, que movia multidões. Certo dia, chegou à conclusão de que o inferno não existia. Independentemente das convicções que cada um tenha, vale a pena ouvir o programa, não só para saber como acaba a história, mas para conhecer uma realidade religiosa surrealista e que, por ventura, muitos desconhecerão.
my friend has problems with winter and autumn
they give him prescriptions, they shine bright lights on him
they say it’s genetic, they say he can’t help it
they say you can catch it – but sometimes you’re born with it
my friend has blight he gets shakes in the night
and they say there is no way that they
could have caught it in
time takes its toll on him, it is traditional
it is inherited predisposition
all day i’ve been wondering what is inside of me, who can i blame for it
i say:
it runs in the family, this famine that carries me
to such great lengths to open my legs
up to anyone who’ll have me
it runs in the family, i come by it honestly
do what you want ’cause who knows it might fill me up
my friend’s depressed, she’s a wreck, she’s a mess
they’ve done all sorts of tests and they guess it has something to do with her grandmother’s
grandfather’s grandmother civil war soldiers who
badly infected her
my friend has maladies, rickets, and allergies that she dates back to the 17th century
somehow she manages – in her misery – strips in the city
and shares all her best tricks with
me? well, i’m well. well, i mean i’m in hell. well,
i still have my health
(at least that’s what they tell me)
if wellness is this, what in hell’s name is sickness?
but business is business!
and business
runs in the family, we tend to bruise easily
bad in the blood i’m telling you ’cause
i just want you to know me
know me and my family
we’re wonderful folks but
don’t get too close to me ’cause you might knock me up
mary have mercy now look what i’ve done
but don’t blame me because i can’t tell where i come from
and running is something that we’ve always done
well and mostly i can’t even tell what i’m running from
i run from their pity
from responsibility
run from the country
and run from the city
i can run from the law
i can run from myself
i can run for my life
i can run into debt
i can run from it all
i can run till i’m gone
i can run for the office
and run from the ’cause
i can run using every last ounce of energy
i cannot
i cannot
i cannot
run from my family
they’re hiding inside me
corpses on ice
come in if you’d like
but just don’t tell my family
they’d never forgive me
they’ll say that i’m crazy
but they would say anything if it would
shut me up….
Da primeira vez foi pelo que lá estava escrito, a forma como achei que me estavam a enganar, e não tanto pelo conteúdo, mas agora é à crítica em si que me vou dirigir.
Desta feita, é Jorge Mourinha, também no Público. Cá vamos!
Uma fita menor de Danny Boyle, com o estilo vistoso e contemporâneo a disfarçar um melodrama Dickensiano bastante convencional.
A disfarçar? O que eu vi foi um melodrama Dickensiano mesmo. Dizer que não é nada de novo, é uma coisa, mas que se quer fazer passar por aquilo que não é, discordo totalmente.
Convirá desde logo desmontar duas “ideias feitas” que parecem seguir para todo o lado o novo filme de Danny Boyle, complementares e só aparentemente contraditórias: uma, que se trata de um filme “contaminado” pela energia fantasiosa do cinema de Bollywood, outra, que se trata de um objecto “realista” que olharia para a Índia contemporânea como a indústria do cinema local nunca o faz.
Não sei se desse lado do atlântico essas “ideias feitas” seguem o filme, mas aqui não vi nada disso. Fui ver um filme que se passa na Índia, com actores indianos realizado por um realizador inglês. Não estava à espera de nada de Bollywoodesco e a própria dança dos créditos é inesperada. Não é que seja grande conhecedor do cinema indiano, mas mal se começa a ver o filme de Boyle, não há ali nada que nos faça pensar que aquilo não é um filme ocidental.
O segundo ponto é o suposto “realismo”. Já Vasco Câmara implicava com o assunto. Eu disse e continuo a dizer: não sei se é real ou não, nunca fui à Índia. Da mesma forma que não sei se O Cidade de Deus é real, pois nunca fui a uma favela, nunca fui ao Brasil.
Ora, lá por Boyle contar uma história dos bairros de lata de Bombaim (…) isso não faz do filme realista.
E depois? O filme tem de ser realista? Sabemos que há miséria um pouco por todo o lado. Não terá a mesma a forma e o mesmo aspecto em todo o lado, mas há-a. Escolheram-na mostrar em Bombaim. Não faço ideia se é mesmo assim, mas e depois? O filme não é documental, o filme não tenta ser documental.
Antes pelo contrário: “Quem Quer Ser Bilionário?” é tão fantasista como um musical de Bollywood ou, mais ao caso, um dos velhos romances populares de Charles Dickens, aos quais vai buscar os truques todos do miserabilismo inspiracional, do triunfo da bondade e do espírito humano e do herói de coração puro que triunfa contra todas as adversidades, que alimentaram os melodramas de Hollywood durante décadas.
Mais uma vez… e depois? Novamente repito, se a crítica for de que o filme é uma reinterpretação e repetição do que já foi feito concordaria, mas a crítica não diz isso. Mourinha condena o recurso às técnicas já velhas por considerar que elas tornam o filme fantasista…
(…) [um] filme que evita o postal turístico do exotismo mas cai no seu exacto oposto, o postal do miserabilismo terceiro-mundista que pinta a Índia como país pobre e miserável onde o sistema de castas e a mobilidade social conspiram para manter toda a gente no seu lugar…
Aqui sim, estará a única coisa que posso considerar legítima, a exploração “pop” da miséria, como disse Câmara. Mas logo a dirige a crítica para o mesmo ponto, o da fantasia:
… provavelmente tão próximo (ou tão afastado) da realidade como o outro. É, aliás, por aí que (…) se revela ser tão fantasioso como o cinema de Bollywood (…).
A crítica continua e Mourinha diz que no entanto, “o problema essencial do filme não é, contudo, nada disto“. Ok, andámos a bater no filme por não ser realista, mas o problema não é esse… qual será então?
Não, o problema é que, para Boyle (…) esta história e estas personagens não são tão interessantes em si próprias como enquanto um pretexto para tentar agarrar em filme a vertigem e a velocidade de Bombaim, para tentar criar algo que reflicta a energia de uma cidade em constante movimento e construção (…) canibalizando ideias daqui e dali para criar um filme que é bem mais convencional do que o seu estilo vistoso e inteligente construção em “puzzle” sugere.
No fundo Boyle não arranja um tema interessante para rodar naquela cidade, que é dinâmica demais para ele. É isso? Ou tenta “armar-se aos cucos” ao criar um filme “em puzzle”? É isso que causa a raiva do crítico?
Mourinha segue afirmando que o sucesso da fita se deve ao “deslumbramento de uma Academia que simpatizou com o velho melodrama hollywoodiano escondido por trás da montagem acelerada e da fotografia saturada e que ainda acha que “isto” é cinema independente” (se fosse Sundance, mas a Academia…) e termina dizendo que esta é uma fita menor, comparada com “Trainspotting”, “28 Dias Depois”, o escandalosamente desconhecido “Sunshine”. Já agora, eu gostei imenso do Sunshine, acho que é bastante bom, mas para quem tem problemas com o realismo… levar bombas nucleares para reacender o Sol não é propriamente a temática mais palpável, mesmo na ficção científica!
A raiva… sim, falei em raiva do crítico, ou mesmo dos críticos. Eu sei que a crítica é opinião e todos temos direitos a más opiniões. Que diacho, o crítico poderia até estar com hemorróidas no dia em que viu o filme e tudo isso contribuiu para uma experiência negativa que leve a pôr lá só uma estrelinha. Mas vejamos: Vasco Câmara disse-me que, por norma, o público não perdoa o crítico, não admite que erre. Eu admito que o crítico erre, assim como admito uma boa crítica, mesmo que divirja da minha (poderá custar, mas se apelar à razão chegarei lá). Por exemplo, Câmara abominou a exploração da miséria. É uma crítica que aceito, embora não concorde e efectivamente não perceba, comparando o filme, por exemplo, com o “Cidade de Deus” (ao que Câmara deu 3 estrelas).
Esta pontuação só pode ser por raiva. É que Mourinha deu tanto a este filme como ao “Não te Metas Com o Zohan“, e esse sim, esse é um filme muito, muito, muito mau, sem nada que se aproveite. Eu sei que as estrelas reflectem um aglomerado de características de um filme… mas o Zohan não tem nada de nada que valha alguma coisa. O Slumdog tem.
Desta vez decidi não escrever ao crítico.
antigamente, os pobres, que não tinham dinheiro que chegasse para comprar comida, eram magros porque não comiam o suficiente. agora, os pobres nos eua, que não têm dinheiro que chegue para comprar comida decente, são obesos porque só comem junk food.
antigamente, surgiam epidemias de sarampo[1] porque os pobres não tinham condições para ser vacinados. hoje há surtos de sarampo no mundo desenvolvido porque os pais abonados optam não vacinar as crianças [2].