Todos os anos é a mesma coisa. Bla bla bla e o ranking das melhores. É ridículo!
Fazer um ranking das melhores escolas não só não é ético, como apenas funciona como uma estratégia de marketing para os colégios privados – marketing do piorio porque é falso.
Classificar o S. João de Brito como a escola que teve a mais elevada classificação média por aluno nos exames nacionais é verdade; classificar a escola S. João de Brito como a melhor escola nacional não é verdade.
Toda a gente minimamente informada sabe como é que estas coisas funcionam: meu menino, não tens boa média… RUA! E se os pais das criaturinhas forem generosos (leia-se €, $, Visa ou MasterCard) e elas continuarem nas escolas, caso sejam de risco, vão fazer exames aos liceus públicos, que apenas têm de os recolher. A minha mãe foi aluna do Sagrado Coração de Maria em Lisboa e as coisas funcionavam assim há 30 e tal anos. Agora é a mesma coisa.
Os rankings só ajudam o lobby do ensino privado. É publicidade de borla. E o estado que pague.
Fui convocado. O Felipão mandou-me uma carta. Convocado para o EURO2004. Uau! Bestial! E no evelope: A todos os Portugueses – Portugal precisa de si!.
Por amor de Deus! Mas o que é isto? Se ainda fosse para pedir colares de ouro e jóias para suportar a crise, uns tustos para ajudar a agricultura, uns apertos para as propinas… mas agora isto? Faz-se uma mailing list nacional a pedir aos tugas ajuda para a selecção? Ai ai ( *suspiro* ).
Hoje foi dia de escrever uma daquelas cartas a uma daquelas pessoas. Escrevêmo- -las com afinco e dedicação. Pesamos cada palavra, como se de um só erro semântico dependesse o destino do mundo. Remoemos e rolamos com a língua as palavras antes de as fazer sair para o papel. E no fim, depois de tanto trabalho, depois de tanta emoção, pomos a carta no correio, à espera que chegue em condições, à espera que seja lida, à espera que lhe dediquem tanta concentração e emoção na leitura, como quando foi escrita. Mas isso não acontece.
Agora que começo novamente a ter algum tempo livre, vou voltar ao blog. Neste regresso vou apenas revelar a minha interpretação sobre o filme Magnolia que, para mim, foi o melhor filme que vi nos últimos tempos. Ora, cá vai: sempre que ouvia falar no filme (só o vi há pouco tempo), diziam-me que se tratava de um filme sobre coincidências, sobre várias histórias que num qualquer momento confluem todas. Treta.
Para mim é simples e belo: assistimos a uma série de histórias mais ou menos complicadas, sobre vidas de pessoas. Vidas miseráveis, vidas tristes, vidas verdadeiramente más – vidas cuja recuperação, cuja melhoria é impossível, tão impossível como… bah, sei lá… olhem, tão impossível como chover sapos… Mas OH! Vejam! Não é que afinal podem chover sapos?!
É tão simples: afinal há esperança.
É uma boa mensagem.

Devido ao festival NSoP (ver mais infos em www.100ideias.org) o tempo é curto e, portanto, este blog vai andar a meio (ou menos) gás.
Voltei de férias. Voltei ao blog. Por agora, fica só isto. Depois regressarei – em primeiro lugar à odisseia de Nova Iorque que já havia começado.
Vou dar umas voltas pela blogoesfera a ver com isto está.
Numa breve interrupção de férias, tenho que dizer o seguinte: apesar de não ser única na minha família a morte do meu pai foi aquela que mais me impressionou, mas não é disso que falarei. A seguir a essa houve duas mortes que também me impressionaram muito. Não foram de familiares, nem de conhecidos, mas de pessoas que só ouvira falar delas nas televisões e jornais. Foram Ytzak Rabin e Sérgio Vieira de Mello. Não sei porquê (a de Rabin ocorreu quando eu era ainda bastante jovem), mas senti-as como se fossem de grandes amigos meus, alguém de que precisava muito – eu e o mundo. E é por isso que tenho pena; não dos mortos, que esses não precisam que os chorem, mas pena de um mundo, cujos habitantes não conseguem conservar no seu seio aqueles que verdadeiramente merecem viver.
00h36, 33º C, Guincho.
Quem conhece o Guincho sabe exactamente do que estou a falar.
Nova Iorque – Primeira Parte
Em 1997 fui pela primeira vez viajar a sério para fora de Portugal. Era a primeira vez que saía da Península Ibérica, a primeira vez que ficava fora do país mais do que um fim-de-semana. O meu pai levou-me a mim, ao meu irmão e à minha mãe a Paris. Foi bestial. No ano seguinte o meu pai morreu e daí em diante, a minha mãe decidiu levar-nos todos os anos a um sítio diferente.
Foi assim que conheci, entre outras, Londres, Veneza, Florença, Viena. Durante uma semana habitávamos um só destino: sem dispersões, sem querer galgar quilómetros. Tentámos aproveitar cada uma dessas semanas para, dentro dos possíveis, viver como os habitantes das cidades que visitávamos.
No ano 2001, em boa hora, escolhemos visitar Nova Iorque. Por nenhuma razão em especial, decidimo-nos pela Big Apple e em Março lá estávamos.
Este foi o primeiro contacto com aquela cidade. O início de uma paixão.
Habitámos um loft do número 173 da rua Lafayette, Manhattan, propriedade do jornalista Jeff Magness da Associated Press que se encontrava em viagem pela Rússia e decidira arrendar, por uma semana, a sua própria casa.
Ainda não tinha saído de Brooklyn e já um sentimento especial emanava do meu interior. Nova Iorque não é só Manhattan (apesar desta ser a melhor parte e praticamente a única que conheço), mas também Queens, Brooklyn e o Bronx. O Mayor Giulianni fez questão de expulsar todos os sem-abrigo, vagabundos e criminosos de rua, o que transformou Manhattan numa cidade extremamente segura e, embora não tanto, também os restantes bairros o são.
Nunca nutri particular afecto pelos americanos. Também não sou contra. Reconheço as suas qualidades e defeitos, mas uma coisa é certa: aquele país é único. Mas esta será uma posterior discussão.
Quem já foi aos EUA provavelmente já terá sentido esta sensação: entrar nos Estados Unidos é como entrar num filme. As pessoas falam como nos filmes. As pessoas comem como nos filmes. As casas, os anúncios, os carros são como os dos filmes. As cores são as dos filmes. Os cheiros são os dos filmes.
Quando saí do aeroporto tive o primeiro contacto com um taxi amarelo – cheirava a caril, tinha música indiana e era guiado por um sikh que passou toda a viagem a fazer duas vénias de 20 e 20 segundos, enquanto murmurava umas palavras ao rádio. Ainda hoje não sei porquê.

foto de Garrett Le Sage
Entrei na ilha de Manhattan pela ponte homónima, vindo do JFK, vendo pela primeira vez o famoso skyline cortando a escuridão da noite. E lá atrás, como pano de fundo, lá estavam elas: as torres gémeas do World Trade Center.
Sempre que vou para um país novo, no primeiro dia fico extremamente nervoso – é a sensação de não ter nenhum controlo sobre nada – sensação falsa, mas aterradora. Em Nova Iorque senti-me logo confortável. Ao contrário do que costumam dizer, pelo menos como primeira impressão, Nova Iorque não era nada aquela cidade fria e (ob)escura como diziam. Era cosy. Mas eu considero-me um ser urbano.
(continua)
Todos os que me conhecem já o sabem: volta e meia lá volta ao assunto – Nova Iorque. Esta é uma das cidades que mais me fascina. Dentro em breve explicarei porquê.