Voltei já na segunda-feira passada, mas esta semana foi um bocadinho para o atribulada. Estive num seminário de enriquecimento da Fulbright, em San Diego na Califórnia. Estava subordinado ao tema das eleições americanas e o sistema político deste país. Falarei mais do seminário em si daqui a uns tempos, por agora ficam umas fotografias.
A cidade em si até é engraçada, tem alguns elementos arquitectónicos bastante bons e o facto de estar junto ao mar, numa baía imensa, com muito sol só a favorece. Mas é uma cidade feita para o binómio pessoa-carro, por oposição ao indivíduo. E isso, confesso, não é para mim aquilo que gosto numa cidade. Acho que não conseguiria viver ali. Falta o que Steiner diz da Europa, as distâncias caminháveis e, claro, os cafés.
Mais fotografias aqui.
Durante uma interessantíssima entrevista ao jornalista brasileiro Laurentino Gomes (autor do livro 1808 — Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil) veio à baila a questão da utilização da internet como ferramenta indispensável de pesquisa. No entanto adverte (neste caso no contexto do jornalismo) para o fenómeno da “redacção preguiçosa”, i.e., o jornalismo de rato e teclado. É um fenómeno cada vez mais comum, acompanhado de outros sintomas que revelam a crescente perda de qualidade do jornalismo em Portugal.
Já em duas ocasiões encontrei frases em espanhol em textos do Público online (infelizmente não guardei). Também encontrei crianças cancerígenas num artigo do (vergonhoso) Diário de Notícias online. Mas ao ouvir falar sobre a “redacção preguiçosa”, lembrei-me de um artigo, também no Público online, sobre os dez anos volvidos do caso Lewinski. Na altura, lembro-me que já não me lembrava da cara da senhora e decidi procurar na Wikipedia. O resultado foi encontrar uma tradução quase ipsis verbis:
No Público
Depois do escândalo rebentar, Monica entrou de rajada no anedotário norte-americano e na cultura pop mundial. A estagiária mais famosa do mundo admitiu que só sobreviveu ao frenesim dos media através da terapia do “tricot” e passado pouco tempo criou a sua própria colecção de malas de senhora, que vendia através da Internet. O negócio acabou por fechar em 2004.
Por entre fotografias esporádicas na imprensa que davam conta do seu aumento de peso e do seu desequilíbrio emocional, Monica ainda fez algumas aparições públicas, nomeadamente no programa Saturday Night Live, fazendo um cameo como “ela própria”, como indica a Wikipedia.
Depois da publicação do livro “My Life”, a autobiografia de Bill Clinton, em 2004, Monica disse a um tablóide britânico: “Ele [Bill Clinton] podia ter feito as coisas bem, mas não fez. Ele é um revisionista da história. Ele mentiu… [Ele deu a entender que eu é que me lancei para cima dele. Como se eu tivesse sido o ‘buffet’ e ele simplesmente não tivesse conseguido resistir à ‘sobremesa’). Não foi assim. Foi uma relação mútua, mútua a todos os níveis, desde que começou até ao fim…”
Dez anos depois do escândalo, onde está e o que faz Monica Lewinsky? As últimas notícias dizem que terá terminado (Dezembro de 2006) um mestrado em Psicologia Social na London School of Economics, para onde foi estudar em Setembro de 2005. A sua tese de mestrado, igualmente de acordo com informações disponibilizadas na Wikipedia, levou o título In Search of the Impartial Juror: An exploration of the third person effect and pre-trial publicity.
Na Wikipedia:
By her own account, Lewinsky survived the intense media attention by knitting; soon after the scandal she started a business selling her own brand of handbags online, but she closed it in 2004. In 2000 she appeared on The Tom Green Show in which the host took her to his parents’ home in Ottawa in search of fabric for her new business. Lewinsky made a cameo appearance as herself in two sketches during the May 8, 1999 episode of NBC’s Saturday Night Live, a program that had lampooned her relationship with Clinton over the prior sixteen months. She was also the host of the short-lived reality television dating program called Mr. Personality in 2003.
After Clinton’s autobiography My Life appeared in 2004, Lewinsky said in an interview with the British tabloid Daily Mail: “He could have made it right with the book, but he hasn’t. He is a revisionist of history. He has lied. (…) I really didn’t expect him to go into detail about our relationship (…) But if he had and he’d done it honestly, I wouldn’t have minded…. I did, though, at least expect him to correct the false statements he made when he was trying to protect the Presidency. Instead, he talked about it as though I had laid it all out there for the taking. I was the buffet and he just couldn’t resist the dessert. (…) This was a mutual relationship, mutual on all levels, right from the way it started and all the way through. … I don’t accept that he had to completely desecrate my character.”
In December 2006, Lewinsky graduated with a master’s degree in Social Psychology from the London School of Economics where she had been studying since September 2005. Her dissertation was titled “In Search of the Impartial Juror: An exploration of the third person effect and pre-trial publicity.” On the whole, Lewinsky has been reported to find difficulty with moving on with her life.
Embora citada a enciclopédia, o facto de se fazer jornalismo traduzindo o que está na Wikipedia, é um grave indicador de que algo vai mal nas redacções do país.
Se há coisa que sempre ouvi dizer era que nós éramos moles, os espanhóis reivindicativos. Aqui vai um pouco da guerra dos parquímetros:
Se nós vociferamos contra a EMEL, eles resistem (cá também há uns que o fazem, mas mais em jeito de linchamento dos fiscais do que propriamente protestando contra a empresa). Saber mais aqui, aqui e aqui.
A National Academy of Engineering publicou há uns dias a lista daqueles que considera serem os maiores desafios da engenharia no futuro próximo. A lista foi produzida por um conjunto de pensadores famosos, como Robert Langer, Craig Venter, Larry Page e foi posta à votação dos visitantes do site. Depois de mais de dezassete mil votos, a classificação foi esta:
1. Tornar a energia solar mais económica
2. Obter energia através fusão nuclear
3. Possibilitar o acesso universal a água limpa
4. Descobrir o funcionamento do cérebro
5. Desenvolver técnicas de aprendizagem personalizada
6. Desenvolver métodos de sequestração de carbono
7. Recuperar e melhorar a infra-estrutura urbana
8. Desenvolver a informática de saúde
9. Criar as ferramentas para o desenvolvimento científico
10. Prevenir o terror nuclear
11. Desenvolver melhores medicamentos
12. Gerir o ciclo do azoto
13. Tornar o ciberespaço seguro
14. Desenvolver a realidade virtual
Cada um dos tópicos dá para longas conversas, mas vou só falar um pouco sobre a ordem da votação. Está patente a preocupação dos visitantes do site na necessidade de preservar recursos do planeta, nomeadamente energia e água. Curiosamente não há nada acerca de técnicas para a produção de alimentos ou de criação de materiais sintéticos menos dependente do petróleo e com produtos mais amigos do ambiente. É interessante também verificar que a compreensão do funcionamento do cérebro está acima do desenvolvimento de melhores medicamentos o que sugere um maior interesse pelo mecanismo do seu funcionamento do que propriamente para o desenvolvimento de nova terapêutica (embora isso seja geralmente uma consequência quase directa do conhecimento).
O desenvolvimento de novas tecnologias e ferramentas para explorar melhor o mundo e o universo é a temática seguinte. Deixo aqui uma citação incluída na descrição deste desafio:
In the popular mind, scientists and engineers have distinct job descriptions. Scientists explore, experiment, and discover; engineers create, design, and build.
But in truth, the distinction is blurry, and engineers participate in the scientific process of discovery in many ways. Grand experiments and missions of exploration always need engineering expertise to design the tools, instruments, and systems that make it possible to acquire new knowledge about the physical and biological worlds.
In the century ahead, engineers will continue to be partners with scientists in the great quest for understanding many unanswered questions of nature.