1 de março de 2008
1 de março de 2008
Há uns tempos, na Boston Public Library, deparei-me com um mapa da cidade de Nova Amesterdão, datado de 1672, da autoria do francês Gérard Jollain. Nova Amesterdão era o nome dado pelos holandeses à cidade que no futuro se iria chamar Nova Iorque. O mapa era este:
A imagem, logo à partida, não só não me fez lembrar Manhattan, que é uma ilha, como me pareceu estranhamente similar à nossa própria cidade de Lisboa (pré-1755). Ao que parece, o autor da imagem não só deliberadamente falsificou o nome da cidade, que em 1664 tinha já sido tomada pelos britânicos e subsequentemente denominada Nova Iorque, como inventou uma cidade completamente fictícia, com base na seguinte imagem de Lisboa, datada de 1617:
A Sé passou a ser a Maison de Ville, o Terreiro do Paço o Almirantado, o Tejo o Mar do Norte, o Castelo de S. Jorge o Chateau de Nassau e por aí em diante. Até incluiu um pequeno mapa com as redondezas da então Nova Holanda e o Quebéc pode ser visto no canto superior direito.
Para explorar melhor os mapas, sugiro o muito bom site de mapas da Boston Public Library, encontrando-se cada um deles, respectivamente aqui e aqui.
Descobri ainda, quando escrevia este post, que só existiram meia dúzia de cópias deste mapa e, há pouco tempo, não sei ao certo precisar quando, estava catalogado e avaliado por um antiquário de Nova Iorque pela módica quantia de quarenta e dois mil dólares.
29 de fevereiro de 2008
Paulo Portas escolhe Garcia Pereira para o defender no caso contra ministro da Agricultura. Público
Isto não é um bocado esquisito?
28 de fevereiro de 2008
Uma das vantagens da medicina personalizada, nomeadamente o rastreio genético passa pela identificação atempada de factores genéticos que irão produzir doenças no futuro ou avaliar a probabilidade da sua ocorrência. Alguém com uma doença genética degenerativa hereditária poderá, por exemplo, prescindir de ter filhos, para evitar a passagem à geração futura. Também a identificação de determinada predisposição para desenvolver tipos de doenças pode acelerar diagnósticos ou evitar tratamentos errados.
No entanto este conhecimento antecipado poderá a vir revelar-se perigoso socialmente. Um artigo do New York Times revela que o medo destes testes poderá mesmo pôr em risco o efeito positivo que este tipo de análise poderia trazer. O medo não é o próprio ficar a conhecer os resultados, mas sim os outros, em particular companhias de seguros e empregadores.
Poderão as companhias de seguros no futuro exigir testes genéticos e diferenciar os prémios com base nos seus resultados? Este tipo de dilemas irão aparecer num futuro próximo e é preciso começar a pensar ética e legalmente em como lidar com eles.
28 de fevereiro de 2008
Nuno Morais Sarmento considera a proposta de retirar a publicidade na RTP, avançada pelo líder do PSD, Luís Filipe Menezes, como “avulsa” e “não reflectida”, criticando o dirigente social-democrata por tardar em apresentar iniciativas políticas. Público
Só resta saber se a liderança do PSD vai implodir, ou se vai ser desmantelada à marretada, como o Estoril-Sol. Ao contrário do antigo hotel em Cascais, duvido é que demore tanto tempo.
28 de fevereiro de 2008
Owens was cheered enthusiastically by 110,000 people in Berlin’s Olympic Stadium and later ordinary Germans sought his autograph when they saw him in the streets. Owens was allowed to travel with and stay in the same hotels as whites, an irony at the time given that blacks in the United States were denied equal rights. After a New York ticker-tape parade in his honor, Owens had to ride the freight elevator to attend his own reception at the Waldorf-Astoria.1
27 de fevereiro de 2008
Os ingleses não perdem uma para gozar com os outros, especialmente se são das ex-colónias separatistas. No fim dum artigo da BBC sobre uma acção sem precedentes da Starbucks (fechar as lojas todas dos EUA, ao mesmo tempo, durante três horas para formação) o jornalista Richard Lister fala das restantes cadeias que aproveitaram a ocasião para atrair clientes da Starbucks, oferecendo descontos ou mesmo café de borla. E para rematar:
Alternatively, it is still possible just to go home and make a cup of instant.
Escusado será dizer que eles também nunca foram grande coisa no café. Cházinho e tal ainda vá, mas mesmo isso, se não fossem os tugas…
27 de fevereiro de 2008
26 de fevereiro de 2008
passei pelo o jack o estripador e ele não olhou para mim. ainda sorri discretamente, abrandei o passo e tossi. mas o homem não me percebeu ansioso entre tanta gente para morrer. fiquei a vê-lo seguir pela arcada, levava a mão no bolso certamente armada, terá feito a eternidade depois da esquina, um minuto depois gritavam e havia sangue e o terror espalhava-se por quem tinha sina.
ai o jack o estripador, num livro aberto na cabeceira num mito de beco escuro e hoje ali à minha beira.
escrito por Valter Hugo Mãe
cantado por Paulo Praça
25 de fevereiro de 2008
Hoje o tempo é escasso, mas quero deixar um texto muito bem escrito pelo Daniel. O Daniel é um amigo meu, colega de curso, e desde Setembro do ano passado anda a viajar pela América do Sul.
Confesso que me tenho sentido um pouco revoltado com a situação por estas bandas. A falta de conhecimento, as falhas na educação das pessoas ultrapassa o tolerável. Não culpo tanto as pessoas, mas mais um sistema de ensino que não funciona ou que provavelmente não se interessa em funcionar. Professores de inglês que não sabem falar inglês é um bom indício de que algo está errado.
Por aqui, expresso-me sempre em português de Portugal. Esforço-me para falar devagar de modo a ser compreendido, mas falo o português de casa. Fico admirado quando me perguntam se sou alemão (até porque me pareço muito com um alemão). Muitos acham estranho quando digo que sou português, pois pensavam que “português” era apenas o nome de uma língua e não tanto o nome dado aos habitante de um país, Portugal. Envergonho-me quando tenho que explicar ao brasileiro onde fica Portugal. Explico da seguinte forma: “sabes onde fica Belém?” e aí normalmente vejo uma cara como de quem já ouviu falar mas não sabe muito bem. “Pois então partes de Belém, atravessas todo o mar até ao outro lado e aí és bem capaz de chegar a Portugal. Fica a milhares de kilometros daqui.”. Não me arrisco a muito mais do que isto. Nós, portugueses, estamos bem habituados a que não saibam onde fica o nosso país. Mas que o brasileiro não tenha sequer ideia de que o país existe, isso já é mais complicado de aceitar. Eu não peço a ninguém que se eduque. Por exemplo, nem me passa pela cabeça censurar um elemento de uma tribo amazónica por não saber que a terra é redonda. Por outro lado, quando vejo aqui as pessoas com grandes telemóveis, toda a gente com um endereço email e com uma conta no orkut. Gente vaidosa viajando com cinco pares de sapatos. Gente que embora tudo isto não tenha a menor ideia acerca da história do Brasil a não ser o que compreende da televisão, das telenovelas. Gente que pergunta a espanhois se são paulistas. Enfim… confesso que me enche de revolta, não pelas pessoas, mas por um sistema com graves falhas. O que sabem acerca de Portugal é o que o Jô Soares transmite. Ou seja alguns estereotipos, a história do “Ora ora, pois pois…”. Sempre que digo que sou português, lançam-me um “Ora ora pois pois”. É que acham que nós constantemente dizemos essa frase desprovida de sentido. Fazem por vezes também um pequeno sorriso, lembrando-se duma ou outra anedota acerca de portugueses estúpidos e ignorantes. O que é aliás bastante irónico, tendo sobretudo em conta a pessoa com quem falo.
Quando é a hora da telenovela, o Brasil pára em frente à televisão. É frequente chegar a um restaurante a essa hora e dar-me conta que o “garçon” não me liga nenhuma porque está absorto na novela. O telejornal é sensacionalista a níveis inimagináveis. O Big Brother é rei aqui. Em São Luís, quis comprar um livro. Dirigi-me a um centro comercial, encontrei alguns alfarrabistas. Procurei lá livros, mas era quase tudo ou espiritual ou de autoajuda. Não me interessou. O meu amigo, israelita, claro que não ia comprar um livro em português e não ia encontrar um livro em hebreu. Perguntou se havia livros em inglês. Disso nada. Em nenhuma parte conseguiu encontrar um só livro em inglês. Mas é que nem pensar. Dirigi-me a um centro comercial. Cheio de lojas de roupa de marca. Bem caras por sinal. No canto mais recôndito do centro, lá encontrei uma livraria. Só um livro me chamou a atenção, pois não sou muito virado para livros espirituais ou religiosos. Sorte foi ser um bom livro a que já me referi noutro artigo. Em Santarém, também procurei um livro. Lojas de tudo encontrei eu. É o regresso às aulas: cadernos por toda a parte. Mas livros… não. Uma livraria só: livros escolares, espirituais e de autoajuda. Se calhar não procurei nos sítios certos. Ou então, estarei mal habituado?
Vendo e conversando com as crianças, a revolta aumenta mais ainda. As crianças são curiosas. No barco, juntavam-se à nossa volta com perguntas, querendo saber mais. Encontrei um mapa do mundo com o qual dei uma lição de geografia a um miúdo de 13 anos. Este jovem, inteligente, não tinha medo de fazer perguntas, e via-se a vontade que tinha de aprender. Infelizmente. A mim pareceu-me um desperdício. Não imagino as suas capacidades sendo aproveitadas. Muitos dos passageiros não estavam apenas de passeio: muitos deles iam para Manaus começar uma nova vida. Um ia para a Guyana Francesa recomeçar do zero. Encontra-se ambição e vontade nesta gente, uma ambição e uma coragem que dão prazer de ver e sentir: a esperança na qual sabe tão bem nadar. Mas com as falhas na educação, as possibilidades oferecidas a esta gente acabam por ser limitadas.
Torna-se ainda pior quando me apercebo que a ignorância é mais que tudo uma ferramenta política, uma ferramenta de opressão. Fomentada e financiada. Dão-lhes futebol, cachaça e sexo. Não é necessário mais nada para viver uma vida tranquila.
E no meio de tanta ignorância, não é de admirar a total falta de respeito pela natureza. Os outros passageiros do barco atiravam lixo borda fora com total desprezo. Beatas, latas de cerveja, garrafas de plástico, tudo… não importava nada. Porque não atirar as coisas para o rio: não há entraves. O desprezo era tão grande que não havia nada a dizer, nada a fazer; mesmo que tentasse dizer a alguém para não fazer isso e lhe tentasse abrir os olhos, julgo que a pessoa irá olhar para mim admirada, sem compreender porque estava eu com essa conversa. E quando o desprezo chega a estes níveis, também não admira que haja tantos lenhadores ilegáis e orgulhosos de o serem. Havia um que só falava disso no barco, bêbedo e feliz por o seu negócio ser rentável. Quando confrontado com a falta de moral da sua profissão, ele respondia que não havia problema que a Amazónia era grande e ele não iria fazer diferença. Actualmente fala-se em 40% da amazónia brasileira desflorestada, não?
Peço desculpa se neste artigo pareci um pouco arrogante. Eu tenho esperança nas pessoas, e um dos motivos desta viagem foi exactamente verificar se valia a pena. Em muitos lugares senti que sim, mas aqui os problemas estão tão enraizados, são tão profundos que só uma verdadeira revolução social poderá alterar o futuro desta gente. Acredito que educando esta gente, o Brasil e o Mundo mudarão. Mas a plebe será sempre plebe, e é assim que queremos ter as coisas, não é?