6 de agosto de 2004

Se eu fosse primeiro-ministro estava bem tramado. Este era o meu discurso eleitoral, que seria basicamente o mesmo após ser eleito:

   Caríssimos,
Da forma como vejo o estado das coisas no nosso país, não vejo alternativa senão operar uma profunda e fundamental mudança nas bases organizativas da nossa vida. Qualquer outra proposta é a meu ver, despesismo que não introduzirá melhoria palpável a curto, médio ou longo prazo.
O país está hoje razoavelmente equipado a nível de vias de comunicação, infra-estruturas sociais e culturais. Embora reconheça que muito ainda há a fazer, esse é um objectivo puramente secundário face às necessidades que considero de ulterior prioridade. Sendo assim, o Ministério das Obras Públicas não fará nenhum projecto nos próximos anos, que não seja exclusivamente destinado a manutenção do património já existente. Assim procederão todos os demais Ministérios que tenham capacidade de criar por si mesmo infra-estruturas, organismos ou entidades. Todos operarão em funções de gestão e manutenção.
Este procedimento tem o duplo propósito de permitir não desviar esforços do essencial e eliminar gastos em acções de interesse muito reduzido ou nulo face a presente organização da nação.
Esses esforços serão concentrados em dois objectivos. A reforma da Justiça e a reforma da Tributação Fiscal.
A reforma da Justiça é necessária para garantir um escoamento rápido de todas as questões litigiosas, pondo em prática uma acção penal forte e exemplar. É imperetrível rever toda a Lei, tendo como princípios fundamentais a adequação e a possibilidade e necessidade de aplicação. Há a obrigatoriedade de criar um espírito de confiança, assim como de respeito à Lei e um catalisador virá, certamente, da forma como o uso dela é feito.
A reforma da Tributação Fiscal é necessária para garantir a funcionalidade do Estado na resposta ao seu dever perante os cidadãos, assim como para operar de forma imparcial a justiça social. A minha proposta é acabar com a miríade de impostos actualmente existentes, que tornam a máquina pesada, lenta e ineficaz. A tributação dos rendimentos é díficil de controlar e proponho o imposto único sobre o consumo*, escalonado. Proponho ainda o número único de identificação, com os inerentes riscos sobre a privacidade, mas que é inevitável num sistema de controlo e gestão de bens que se queira moderno.

*Precisaria primeiro de estudos e simulações para verificar se esta ideia é realmente funcional.

6 de agosto de 2004

5 de agosto de 2004

Se me perguntassem se eu acho que a maioria das pessoas não sabe o que cá faz e que não está verdadeiramente a viver, eu diria que sim.
Mas ninguém me perguntou.

5 de agosto de 2004

31 de julho de 2004

O Público traz hoje uns excertos do estudo de impacto ambiental do túnel do Marquês. Passo a mostrar os relevantes:
Em dias de semana, estima-se que cerca de 15 mil automóveis vão entrar no túnel, a partir do viaduto Duarte Pacheco.
Em cada ano, os cidadãos economizarão 300 mil horas hoje perdidas nas filas de trânsito naquela zona. Isto representa 1,8 milhões de euros por ano em salários e 7,3 milhões a mais para o produto interno bruto.
Partindo do princípio que hoje há naquela zona sensivelmente a mesma quantidade de veículos que por lá passarão (15 mil) e assumindo 230 dias úteis de trabalho por ano façamos as contas. Dividindo o número de horas pelo número de veículos temos que cada veículo poupa por ano 20 horas, ou seja 0,087 horas por dia, que convertendo em minutos dá: 5,2.
Bolas! É obra! Quem diria que conseguir que os trabalhadores lisboetas que entram na cidade pelo viaduto Duarte Pacheco cheguem 5 minutos mais cedo ao trabalho levaria ao incremento de 7,3 milhões de euros do PIB. Para comparação em 2002 foi gasta em prevenção de fogos florestais a seguinte verba: €3.152.644,00 em infra-estruturas florestais, €1.459.466,00 vigilância móvel motorizada, €170.162,00 em vigilância aérea e €2.848.081,17 em sabadores florestais o que totaliza o montante de €7.630.353,17, ou seja, 7,6 milhões de euros. O Sr. Primeiro-Ministro é um visionário: chegar mais cedo ao trabalho em Lisboa permite proteger a floresta!
Agora imaginem lá o rico que não ficávamos se todos nós chegássemos ao trabalho 5 minutos mais cedo. Ainda para mais no Porto, que lá é que se trabalha!

31 de julho de 2004

25 de julho de 2004

Nem todos os cafés autorizam a que se estude nas suas mesas. É claro que se houver falta de mesas e clientes em pé, a atitude é compreensível, mas em todas as outras situações não. O que é que nos distingue das velhinhas que lêem a Casa & Jardim?
Este é um dos pormenores do comércio tradicional que me irrita profundamente. Não há pior do que fazermos uma compra e o vendedor parecer que nos está a fazer um favor. O mal é que neste país a grande maioria dos que vende, quer ganhar dinheiro à custa da extorsão em vez de se preocupar em criar e cuidar de uma clientela. E nos dias que correm, bastam duas ou três palavras simpáticas para se começar a angariar clientes.

25 de julho de 2004

22 de julho de 2004

Às vezes a vida devia ser como os anúncios de telemóveis. Liberdade, um sítio onde todos comunicam. Vivem. Vive, sente, fala, ama, adora, viaja. Liberta-te dos teus medos e segue para aventura. Sente a tua cara, as mãos dela. Corre como nunca correste e faz aquilo que sempre quiseste fazer. O pôr do sol marca o início e o nascer do dia outro começo. Não olhes para trás e dá uso ao tempo. Olha, toca, cheira. Diz. Sabe. Aprende. Corre. Sê.
Que será a conversa?

22 de julho de 2004

18 de julho de 2004

No último post referi que tinha desaparecido o Ministério da Tecnologia. Realmente não tinha reparado que ele deixou de existir desde que o PSD passou a governar, existento unicamente o Ministério da Ciência e Ensino Superior. Não sou especialista na matéria, nem domino qualquer tipo de conhecimentos económicos ou políticos, mas há algumas questões que me parecem a mim evidentes.
O mundo caminha sobre a tecnologia, com a tecnologia, aliado à tecnologia. É mau? Penso que não. Não nos podemos esquecer dos restantes problemas que existem, mas não vejo mal em concentrarmos alguns dos nossos esforços no desenvolvimento e na aplicação da tecnologia. Pode ser que em alguns casos sirva mesmo para ajudar a resolver esses problemas.
Portugal não tem qualquer política de tecnologia. E não penso que o turismo tenha mais valor que a tecnologia. Para mim é iludir o povo. Não digo que o turismo não seja um produto importante que Portugal possa vender melhor do que o que vende, mas não creio que isso seja a grande solução. Ciência e Tecnologia: a resposta? Talvez seja de louvar um ministério com este nome (e que faça alguma coisa nas duas áreas), mas não se devem confundir as coisas. Ciência é descobrir. Tecnologia é aplicar ao mundo as descobertas. E a distinção deve ser muito clara. O exemplo mais flagrante de aposta na tecnologia talvez seja o da Finlândia (Castells, M.; Galáxia Internet).
Harvard, a conhecida universidade americana, por onde passaram sete presidentes americanos e donde sairam quarenta prémios Nobel prepara-se para mudar os seus programas escolares. A proposta diz: qualquer estudantes de perceber as notícias e os artigos expositivos de revistas como a Science ou a Nature. Não se pode aceitar a ideia de que alguns estudantes não são capazes de aprender ciência, tal como não se pode aceitar a ideia de que outros são incapazes de aprender matérias das humanidades e ciências sociais. Na minha interpretação (e porque penso que são mais os casos de incapacidade de compreensão de assuntos científicos para quem tem formação humanística do que da situação inversa) este é um claro sinal da importância que tem a compreensão um pouco mais do que básica da ciência no dia-a-dia. E porquê? Não será certamente porque as pessoas vivem mais felizes se estiverem inteiradas destes assuntos, é-o porque a ciência toma cada vez mais (e muitas vezes de forma imprevisível, caso da internet) parte das nossas vivências correntes e fá-lo através da tecnologia. Não podemos viver às escuras.
Não só não podemos viver às escuras como não podemos viver só dos outros. Temos que criar riqueza. Volto a dizer que de economia pouco ou nada sei, mas acho que não é a economizar os poucos tostões que temos que vamos ficar ricos. Mas voltando um pouco atrás: sou defensor de que o Estado deve dar muito pouco, ou mesmo nada. Na minha concepção o Estado não existe para alimentar o povo. Existe para servir o povo. Como qualquer prestador de serviços, deve ser pago. E o serviço é gerir o nosso dinheiro, alguns aspectos da nossa vida e orientar o país. E é só isso. Por isso não concorde que o Estado esbanje dinheiro (faço notar que gastar dinheiro e esbanjar dinheiro não são sinónimos). Por isso fico contente por alguns políticos terem compreendido (talvez ainda não na totalidade, mas por ventura ainda não houve tempo para tudo e para lá caminham) que o Estado não deve esbanjar dinheiro. Mas como disse atrás, mesmo que bem geridos, não são os nossos tostões que nos vão fazer ficar ricos. Há que criar um plano de acção, que nos dê um desígnio.
Éramos (somos?) dos maiores produtores de cortiça a nível mundial. O que fizeram aqueles que não podiam competir com a nossa produção? Criaram alternativas. Coisas que podem ser tão simples como a rolha de plástico podem arruinar um país.
Como disse ontem à noite Paulo Portas na Madeira (e não tenho aqui as citações exactas, porque os jornais a esta hora ainda não publicaram e ouvi na rádio, no carro), querem pôr Portugal no caminho da modernidade. Acho muito bem. Mas acho que não vamos lá sem uma aposta clara na tecnologia (como salientou o novo Primeiro-Ministro na sua primeira entrevista no exemplo que deu do eGovernment – ideia que não considero assim tão disparatada como a maioria diz).
E é por isto que acho que a Tecnologia é mais importante que o Turismo.

18 de julho de 2004

17 de julho de 2004

Tenho que confessar que nunca pensei ver uma coisa destas em vida.
E devo salientar que o Ministério da Tecnologia desapareceu – para compensar temos o do Turismo.
Positivo é terem posto um Mimoso à frente da Segurança Social, da Família e da Criança.

17 de julho de 2004

14 de julho de 2004

Bem, por causa do Convite o número de visitantes do blog aumentou como nunca. E a imagem circula pelos emails. Humm, se eu desaparecer sem dizer nada, não é porque fui de férias para o algarve!

14 de julho de 2004

9 de julho de 2004

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9 de julho de 2004

30 de junho de 2004

Profissão de futuro: Apertador de Mãos.
Reparem. Há pelo menos um em cada cerimónia oficial; vejam na televisão. Notem bem: os políticos (e outras figuras de destaque) quando vêm de carro, mal lhes abrem a porta, saem logo de braço estendido para apertar a mão a alguém. Quando o anfitrião não pode lá estar, entra em cena o Apertador de Mãos. É concerteza um trabalho gratificante e bem pago, muito embora as actividades sejam de curta duração.

30 de junho de 2004

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