Os resultados líquidos consolidados do Millennium bcp cresceram 24,2%, para os 753,5 milhões de euros no ano passado, o que representa um máximo histórico, anunciou o banco esta terça-feira em Lisboa.
“Os portugueses são os cidadãos com o moral “mais em baixo” de doze países europeus, revelando-se também os mais inquietos quanto ao futuro, apesar de terem poucas intenções em poupar, revela um estudo europeu.(…)Portugal é também o país onde existe menos intenção de poupar nos próximos 12 meses (3% da população), acompanhando a tendência dos países em análise.”
O discurso e a acção de Manuel Alegre tiveram sobretudo dois grandes méritos: o de activar um movimento de cidadania e, mais ainda, de demonstrar que há interesse e vontade que eles existam. Foi uma campanha descolada da máquina partidária em si, e o elan gerado foi a prova de que existe um descontentamento generalizado, profundo e grave com a maneira como a democracia partidária é feita. Sobretudo um sentimento de que não resulta. Cavaco ganhou de forma clara, a meu ver, por a sua imagem estar envolta, além de outras ideias, num mito de independência e distanciamento (verdadeiros ou não) do sistema. E acho também que foram Alegre e Jerónimo que conseguiram que a vitória de Cavaco não tenha sido mais expressiva. Apesar de não serem novos per si, como nenhum o era, Alegre mostrou uma certa irreverência que foi bem acolhida.
O Demérito de Manuel Alegre
Há que ser dito que o movimento de cidadania de Alegre só existiu porque foi chutado pelo Partido Socialista. Talvez seja essencialmente uma questão de fé política, mas o discurso de Alegre não me convenceu. Não que em teoria não seja um dos melhores, especialmente na questão formal de como é feita política, resultando de um movimento aglutinador supra questiúnculas partidárias. Porém nada me garante que a cidadania Alegre não foi mais que uma reacção de raiva ao aparelho PS que o ostracizou. O que é um facto é que Alegre é um cidadão com mais poder que os restantes, é deputado à Assembleia da República e na altura de manifestar a sua voz, como na questão do orçamento, fugiu. E é aí que está a sua incoerência, aquilo que me fez não acreditar na sua boa vontade. Tudo se vai revelar agora: Alegre não vai fazer rigorosamente mais nada. O suposto movimento de cidadania vai diluir-se. Eu exorto para que não, espero que não, mas temo que sim. De facto, um movimento de cidadãos é mais fazível numa eleição presidencial, já por definição não partidária. Mas que voz poderão ter numa eleição legislativa, ou mesmo numa autárquica num fenómeno geral e não localizado? Três anos são muito para um suposto movimento resistir se não tiver uma estrutura organizada e coerente. Ninguém se lembrará de Alegre & Cia. nas próximas legislativas. Não me convencem que esta campanha não foi um hobby e que Alegre vai regressar alegremente à sua cadeira no hemiciclo. Gostava que não.
Se efectivamente resistisse, o tal movimento deveria bater-se por criar um espaço de debate, sondagem de intensões, organização de um plano claro e objectivo e, caso chegasse a conclusões divergentes dos demais partidos (como se supõe, pelo teor do comunicado na campanha), ter a coragem de levar a acção em frente, distanciar-se verdadeiramente da estrutura instalada e mostrar que tem, efectivamente uma proposta alternativa. Acho que o mais importante da campanha Alegre foi mostrar que existe mercado eleitoral para uma alternativa ao sistema actual. E se política da tecnocracia economicista da combinação Governo-Presidência da República não resultar (que, infelizmento, acho que não vai resultar por Sócrates não ir tanto ao fundo quanto seria possível e Cavaco eventualmente vir a ter pouco poder – espero estar enganado), esse mercado alargará seguramente muito. E aí, para além de um bom plano (que não havia), o discurso patriótico – mesmo mais que discurso, verdadeiro apelo e involvência, – um tal movimento cívico poderá vir a tornar-se uma real alternativa. Mas acho que Alegre não o fará.
Sentou-se e pediu logo um café. Costumavam demorar imenso tempo a vir às mesas, naquela esplanada do Largo do Carmo. Àquela hora, deviam faltar dez ou quinze minutos para ela chegar. A palavra ainda não tinha sido inventada; o que lhe vinha à cabeça era um misto de obscenidade e de cobardia.
Há dois meses que sei que te sentas aí, nessa mesma mesa, sempre às terças e às sextas. Coincidência ter-te encontrado, a escrever. Ainda não deixaste de vir uma única vez.
Há dois meses que ele sabe que ela vai àquela esplanada, às terças e sextas, pelas seis horas. Não faltou nem no dia vinte e três de Dezembro; deve ser daqui de Lisboa. Todas as sextas um livro, geralmente de arte, ou arquitectura. Sempre um bloco e uma máquina fotográfica em cima da mesa. Costuma pedir um café e um pastel de nata. Às vezes troca o café por uma meia-de-leite. Outras pede um aperitivo que ainda não conseguiu identificar. Pela aparência, um Moscatel, um Madeira, ou um Porto. Às vezes trás um leitor de CDs. Não se preocupa em trautear alto; sempre Steve Poltz, Mazgani e Blind Pilot. Ele não conhecia nada daquilo. À hora certa, lá chegava ela. Ele, preso à cadeira.
Será que ela já me viu? Quem é ela? O que faz? As mesmas perguntas, sempre. Jorravam-lhe, inundavam-lhe a imaginação. Não falava daquilo a ninguém. Era ridículo. Nunca fizera nada. Nada mais que observar. Isto é ridículo . Às vezes sustinha a respiração e levantava-se ligeiramente. Depois sentava-se. Já várias vezes vira tipos ir falar com ela. Que frustração, era o que ele sentia. Tipos com bom aspecto (será que era aquilo que faziam na vida?), muitos deviam ser artistas. Pediam para desenhá-la, vinham falar com ela. Já a vira rir, a bom rir. E ele nada mais fazia que imaginá-los a ambos, juntos, a viverem juntos, a prepararem um pequeno-almoço juntos. Tu tropeçaste em mim, eu com as chávenas na mão, tu com o pão com doce, e olhaste-me nos olhos com uma cumplicidade que se situava mesmo entre a culpa e o arrependimento parcial . Ele imaginava-a na sua vida. Imaginava uma vida a dois, diferente. Imaginava, sonhava os bons momentos. Era isso que ele ia ali fazer; ia ali imaginar. Mas ia com a esperança de que um dia se tornasse mesmo a sua própria vida.
O medo, a vergonha. Porquê? Isto é ridículo. Naquele dia tinha dito: é hoje; tem de ser . Ele nunca dizia é hoje. Mais que tudo, o seu medo era de reconhecer-se falhado. Assim evitava falhar-se a si próprio, pelo menos formalmente. Naquele dia disse. É hoje . Tudo planeado. O que diria, o que não diria. Sabia que não iria ser nada disso que lhe viria à cabeça. Mesmo assim recreou aquilo vezes infindáveis, na sua imaginação.
E ela sentou-se. Em dez minutos, ele não pensou em rigorosamente nada. Limitou-se a olhar. Sentiu o tempo a passar. Até que pôs as mãos nos braços da cadeira. Assim que transferiu o peso e se começou a levantar, viu-a levar as mãos à cara. Ficou estático. Ela baixou a cabeça. Ele não conseguia distinguir se estava mesmo a tocar na mesa.
Ela está a chorar.
Ela estava a chorar. Primeiro timidamente. Depois nada o escondia.
Ela está a chorar!
Ele estava surpreendido. Aterrado. E deixou-se cair na cadeira. Na sua mente consolava-a. Passaram cinco ou seis minutos. Ela levantou-se e fugiu correr.
Para mim, uma das mlhores coisas do período do ano novo, é sem dúvida o Dakar. Já o ano passado aqui o escrevi. Este ano a emoção ainda foi maior com os motores a rugirem mesmo ao lado de casa.
Desde pequenino que gosto disto! E nestas duas semanas o ritual é sempre o mesmo: às nove e meia, ligar a Eurosport e ver o resumo do dia.
Aqui fica um bocadinho do que pude ver. Não é o deserto, mas o Alentejo é bem bonito.