Adoptaram o modelo americano e tornaram tudo ridículo. Aquilo deveria chamar-se “Entrevista simultânea”, porque de debate nada havia. E depois aquelas declarações tão estudadas, a perguntas tão inconsequentes. Esperemos que os outros tragam mais qualquer coisa, nem que seja mais animado, pelo menos.
«Though a majority of the youths committing the acts are Muslim, and of African or North African origin, the mayhem has yet to take on any ideological or religious overtones. Youths in the neighborhoods say second-generation Portuguese immigrants and even some children of native French have taken part.»
«It was a good excuse, but it´s fun to set cars on fire, said Mohamed Hammouti, a 15-year-old boy in Clichy-sous-Bois, sitting Sunday outside the gutted remnants of a gymnasium near his home. Like many people interviewed, he denied having participated in the violence.»
in New York Times
«The man was beaten as he tried to put out a trash can fire on Friday in the Paris suburb of Stains in the region of Seine-Saint Denis.»
«Cars were torched outside Brussels´ main train station and in a working class district of Berlin, although officials in Belgium and Germany sought to downplay the risk of violence on the level of France.»
in CNN.com
Era de génio: uma peça de Shakespeare, em português, com as palavras do verbo morrer ditas da forma merrer. Mas ninguém se riu.
Lá diz o povo, uma desgraça nunca vem só. Na página do Sporting:
(…) As cerimónias integram também (…) uma actuação do grupo “Os Delfins” em concerto acústico.
Na maioria dos casos tradições significam gastronomia, festas religiosas, trajes e folclore. E em Viana do Castelo as tradições também são essas. Mas, como em tudo na vida, o que dá gozo não é só aquilo que nos vendem, mas o que está por trás. Os detalhes, os pormenores. Os pequenos bocadinhos da vida.
Viana era a terra do 10/R e a terra da mulher que não usa sempre brincos é mulher fanada. E em Viana há-os ainda. Há o palavrão solto na língua. Há o torneio de sueca com galos, vinho do porto e meias libras de prémio. Há o escadório, as Ursulinas, a Papanata, a Viela da Parenta e a Rua da Vedoria. Há os obituários nas montras das lojas e farmácias, com os mortos a olhar escaparate fora. Há cigarros de chocolate.
Por falar em jovens com mais de oitenta anos, aqui vai um que tive a sorte de ouvir.

Uma lenda viva do jazz.
No fundo, no fundo, o que todos queríamos era aos 82 anos ainda estarmos aí p\’rás curvas, cheios de genica para sermos Presidentes da República, em vez de nos andarmos a babar num lar. Ainda assim, não vou votar no Marocas.
A maneira como as eleições foram cobertas é mero reflexo daquilo que é o “interesse conduzido” português, a meu ver devido, na sua grande maioria, à comunicação social, ou antes à alienação que esta teima em advogar.
Quando os computadores do STAPE estavam a dar o berro, os únicos dados que se sabiam (por estarem constantemente no rodapé) provinham de Lisboa, Porto, Faro, Felgueiras, Oeiras, Gondomar e um ou outro Concelho. Porque terá sido? Será que só havia jornalistas nesses locais?
Já antes o tempo de antena dado aos concelhos modelo era bem maior que aos restantes. De facto quase ninguém se interessou em entrevistar o candidato que derrotou Avelino em Amarante. O Avelino ia à vida, qual o interesse em estar lá? Os brancos/nulos mais uma vez são por todos esquecidos.
Mas as culpas não ficam pelos media. Nos discursos dos líderes partidários não havia quem não malhasse no governo, entremeando estas palavras com apelos à necessidade de distinção dos propósitos das diferentes eleições.
Mas logo a seguir, vinha uma caridosa jornalista perguntar:
– E quanto às presidenciais?
– Minha senhora, vá à merda – só não verbalizado por questões de decoro.
You win it’s your show now
So what’s it going to be?
Because people will tune in
How many train wrecks do we need to see?
Before we lose touch
And we thought this was low
Well it’s bad, getting worse….
Where’d all the good people go?
I’ve been changing channels and I don’t see them on the tv shows
Where’d all the good people go?
We’ve got heaps and heaps of what we sow
(…)
Station to station desensitizing the nation
Going, going, gone.