“Numa reunião sobre o multilinguismo e o multiculturalismo, duas palavras quentes em vésperas do alargamento, discutiu-se a sinalética como alternativa a ter cartazes do tamanho de uma parede com inscrições em duas dezenas de línguas para tudo. Houve, no entanto, reservas quanto à sinalética para identificar os quartos de banho das senhoras e dos cavalheiros porque a distinção saias-calças parece ser entendida como confusa e sexista. Como acho que não me elegeram para discutir a sinalética dos quartos de banho, propus a representação estilizada, em nome dos bons costumes, dos órgãos sexuais masculinos e femininos para identificar as portas. Sem sucesso. Parece que também não é inequívoco.” in Abrupto
O JPP tem muita piada.
Imaginem que Deus quer dar um sinal da sua presença. Fazer-se notar a um mortal eleito para tal. Porque razão? Isso é lá com Ele, mas atentemos ao sinal em si. Desta feita, o Senhor não escolhe enviar um anjo como fez a Maria, nem aparece em sonhos. Tão pouco usa o truque da voz grave e cavernosa, levemente pausada, como quando falou com Abraão e tantos outros.
Não, desta vez, depois de eleito o destinatário do sinal, Deus deposita-lhe vinte e cinco mil milhões de contos na sua conta bancária. Depois de ver confirmado que o depósito não foi engano de ninguém, aliás, foi depositado em notas num cofre nocturno de um banco da Av. da Roma, o feliz humano compreenderá então que tal gesto, veio directamente do céu. Ele foi abençoado com a brisa da glória divina e, ao contrário dos que como ele já haviam sido, está brutal e estupidamente rico. Até poderá distribuir dois ou três mil contos pelos pobrezinhos!… Que alegria!
Só que… Há um problema! Tal quantia de dinheiro não passa despercebida! Que fazer agora? O fisco?! Como explicar que foi uma dádiva divina? Oh não! Que desespero! Já estou a ver: “Sim, claro. Isso foi o que os colombianos disseram da última vez. Mas eles trouxeram charutos ao passarem por Cuba! O senhor nem isso!”
Resumindo: Senhor Deus, quando quiser ter tamanho acto de bondade, ponha as notas debaixo do colchão. Eu não me importo com o alto.
A culpa é tua. Só tua. De mais ninguém. Tu és o culpado.
Tinhas todo o poder de decisão em ti, mais, tinhas o dom de conseguires fazer as coisas sem grande esforço. Tu é que deitaste a perder, tu é que desperdiçaste tempo. Vê se ainda consegues compreender isso a tempo. Depressa. Volta ao que eras.
Quando a Europa se alargar, ou quando tiver algum tempo, depois do alargamento acontecer, vou comprar um chasso por 80 contos e vou daqui até ao báltico – s. petersburgo. Vai ser bom. Vai ser uma viagem e pêras. Não sei se vá sozinho. Eu gosto de viagens solitárias, mas uma desta magnitude… não sei. Tenho de pensar. Além disso, escolher um parceiro de viagem não é fácil; aliás, é impossível – a viagem é que acaba por escolher o parceiro na pessoa que escolhermos levar connosco.
Uma coisa que nunca percebi é porque é que as pessoas se suicidam, exceptuando aqueles que são doentes mentais, ou casos de eutanásia – que não deixam de ser discutíveis. Será que há algum sofrimento tão grande que nos queira fazer sair daqui? A minha opinião é duvidosa, porque, para mim, nada há melhor que a vida. Sempre disse para mim mesmo: se algum dia estiver numa de me suicidar e o físico me permita, vou para o tibete, ser monge, ou homem santo, na índia. A pé.
Espero que não fira susceptibilidades.
Muitos dos que me conhecem sabem que Nova Iorque é, para mim, algo de muito especial. Os que não me conhecem assim tão bem e lêem o blog, depois desta segunda parte da minha crónica sobre a cidade que nunca dorme perguntaram-me: “mas tu tens uma tara por aquela cidade, não é?”
É. Não é bem uma tara, é uma paixão assolapada. Porquê? Nem eu sei bem. Dizem-me que mal eu começasse lá a viver, havia de perder este amor. Talvez. Só lá estive duas semanas. Não posso dizer grande coisa; e foi como turista, não como um verdadeiro habitante. Mas não creio que isso vá acontecer, quando para lá fôr viver. Eu também sou um apaixonado de Lisboa e, embora não viva lá, sempre lá fui frequentemente desde que nasci e agora, quase todos os dias – vejo Lisboa com os mesmo olhos, com o mesmo coração.
Há cidades que me dão doses de felicidade intrínseca. Há outras que ainda dão mais qualquer coisa: é o caso de Nova Iorque. Não são só os edifícios, nem as pessoas, nem os parques, nem a vida artística, nem a vida corrente, nem as mercearias, nem os bairros supra-nacionais, nem os cachorros quentes, nem o café, nem as luzes, nem o trânsito, nem a sensação de grandeza. Não é só isto que me torna um admirador da cidade.
É mais qualquer coisa, simples e suave, mas ao mesmo tempo latejante e persistente. É um cheiro, uma sensação. É uma emoção: uma profunda e avassaladora emoção. Um sentimento de pertença ao mundo e de sua posse, um sentimento de originalidade, um sentimento de investimento naquilo que vale a pena. Será? Não sei? Isto que disse clarifica alguma coisa? Absolutamente nada. Mas… quem sou eu? O que é um electrão?
Há coisas complicadas de se saber… Parece pretensiosa esta minha maneira de descrever a relação que tenho com uma cidade. Peço desculpa. Só digo mais uma coisa: há uma força que me impele a dizer… a minha cidade. É minha…
Estranho.
– Olá! Estás bom?! Desculpa lá ter chegado atrasado… É que…
– Não faz mal. Não te preocupes. Ainda bem que vieste; precisava mesmo de falar contigo.
– Então, conta lá, o que se passa? Qual a urgência?
– Bem sabes… é que…
– Deixa-me só pedir um cafézito, se facha vôr. Oh! Não se importa de chegar aqui? Era uma bica, po´favor. Vá segue.
– Bem é que a Sara, como é que te hei-de dizer…? Também não é nada de especial… posso dizer já…
– Diz homem! Que te vai na alma?
– Ora cô-licença, aquistá a bicazinha. Mais alguma coisa senhor? E o senhor? Também não? Muito bem.
– É assim, sabes que a Sara e eu não namoramos assim há tanto tempo…
– Um ano, não é?
– É é Tit-at-turiri-ri-ru-ri – aha – tit-at-turiri-ri-ru-ri
– Só um minuto, não te importas que atenda pois não?
– Nã…
– Tou? Não, no café, com Afonso. Diga? Ah, mé…! Esqueci-me! O quê? Não, não foi de propósito. Sim mãe. Eu sei mãe. Deixe que eu procuro uma farmácia de serviço. Não mãe. Eu sei que o pai fica aflito do estômago sem eles. Eu VOU buscá-los! Não, não telefone nada ao tio Alfredo, deixe-o lá em paz. Ok mãe. Sim mãe. Até logo. Beijinhos…
Esqueci-me completamente dos remédios do meu pai, vê lá tu, com a farmácia mesmo ali, ao lado da faculdade. Tou cada vez pior. E a minha mãe… ai ai… bem… desculpa lá. Estávamos onde?
– Não te preocupes. É que sabes estas coisas põe-me nervoso. Já a Sara ter ido morar lá para casa. Não é que tenha problemas, até sabe muito bem ter companhia e gosto mesmo da dela… Mas é como se estivéssemos quase casados e só tenho 26 anos… Não estou preparado…
– Oh! e eu 25 e ainda moro com os meus pais. Tens é uma vida óptima…!
– Não me queixo, mas isto do compromisso. E se não é com a Sara que eu quero passar a vida inteira?
– Bem, deves saber, que hoje em dia isso….
– E eu quero um compromisso sério e quero dizer que sim e gosto muito dela mas…. não sei… Caiem três pratos no chão e partem-se, ao mesmo tempo que entram uma data de pessoas no café e o autocarro apita lá fora, por entre a chuva.
– AHH! Que susto! Estas coisas dão cabo de mim… Não aguento isto, ainda hoje ia morrendo ao sair de casa! Mas, íamos, ah!, sim…. Pois. Essas dúvidas assolam qualquer um.
– Eu sei que sim, mas tu sabes quão indeciso eu sou.
– E queres que eu te ajude a tomar a decisão?
– Não.
– É que sabes, não sou a pessoa mais indicada…
– Mas eu não quero…
– E além disso, estas coisas têm que ser os próprios a tratar. Neste caso tu.
– Já disse que não quero!
– Ah bom… ok… desculpa. Aía, sabes uma coisa, a Joana quer que eu vá viver com ela. Mas diz que tenho de ser mais responsável e que se quero tenho de me mudar até Janeiro! Não sei o que hei-de fazer… Pareço tu!
– João, vou-me casar.
– Não sei se leve já as coisas de lá de casa. Sabes como as coisas são, ela pode torcer o nariz e não…
– JOÂO! EU VOU-ME CASAR!
– Ah… pois… óptimo… ainda bem… bem… quer dizer… olha… vou-te dizer uma coisa… e não te esqueças…é mesmo importante e tens de ter cuidado. Chega cá: o casamento – não – é – irreversível! As crianças é que são…´´
as pessoas inteligentes e cultas não têm, necessariamente, os parafusos todos apertados
Talvez seja a frase mais inteligente que ouvi nos últimos tempos, dita por uma pessoa que tem muita razão em quase tudo o que escreve e escreve, como se toda a razão estivesse nela.
É triste ver como se desperdiçam tempo e recursos na inutilidade. Faz-me pena ver a quanta importância que se dá à incompetência e à ignorância. Mete dó ver que, neste país, tanto talento é desperdiçado.
É que há pessoas maravilhosas. Pessoas com dons inimagináveis, qualidades quase sobre-humanas, mas que sózinhas não viverão. É que remar contra a maré é uma coisa, agora se lá dentro ainda vêm tubarões esfomiados que destroem tudo, então é impossível. E muitas vezes estas pessoas fecham-se e não revelam cá para fora a beleza que têm dentro de si. E somos nós que ficamos a perder, acreditem…
Nova Iorque – Segunda Parte
Manhattan é uma ilha com uma forma aproximadamente rectangular de 12 km x 5 km.. À parte da baixa, é uma cidade topográficamente moderna: a todo o comprido há as avenidas (10) que são atravessadas, perpendicularmente, pelas ruas (mais de 100). As localizações são dadas pelos cruzamentos das ruas com as avenidas. Apenas uma rua sinuosa, em forma de S, quebra a simetria da organização ordeira das vias: é a conhecida Broadway. Geralmente este nome é logo associado aos teatros e musicais, mas a zona onde se encontram estas casas de espectáculos é apenas uma pequena porção desta grande avenida, na altura em que se cruza com a 6ª avenida, na famosa Times Square. Na baixa, já podemos encontrar ruas curvas, tão típicas na Europa, quanto ausentes nas planificações modernas americanas.
foto de David F. Gallagher
O metro é sujo. Antigo. Assustador. Mas por alguma razão sentia-me bem no seu interior, como que nas veias duma amada, na força viva de um animal. O metro está a tão pouca profundidade que a rua treme sempre que as composições passam por baixo de nós, que podemos ver através das grades que há nas ruas. É nas ruas que também se vêm as típicas chaminés de vapor. É na rua que se vêm os Lincolns. Na rua não se vêm carros estacionados. É só um fluxo, constante,
semi-ordeiro de carros. As limousines, os carros estranhos, os táxis – como nos filmes. É nas ruas que se encontra uma parte significativa da essência desta cidade. A mistura de pessoas edifícios é inexplicável. Os prédios lançam as suas sombras pelas ruas, mas dão ao sol os seus vidros para ele poder reflectir, como num cristal, uma infinidade de raios de luz. As pessoas numa forma semi-mecanizada, semi-humana deslocam-se de um lado para o outro, como formigas, numa procura de riqueza pessoal, mas (in)conscientemente comportando-se como seres simbióticos que fazem avançar, no plural, uma estrutura, uma sociedade. A comunhão, por vezes impura, é inegável e as pessoas relacionam-se de uma forma que eu nunca vi. Nova Iorque é a cidade da 5ª Avenida, da tecnologia, da novidade, do novo, do mais, mas também é uma cidade onde ainda há lojas (só) de chapéus, de barbeiros nas ruas mais movimentadas, de mercearias e délis. Para mim, a cidade é inexplicável e o turbilhão de palavras que por mim saiem só revelam a mistura de sentimentos que duas parcas semanas marcaram.
foto de David F. Gallagher
Eu ainda vi o tapete de Miró, no átrio do World Trade Center. E depois voltei à cidade. Tinha de ser. Porque sim. Porque foi a única cidade onde vi um tipo de meia de nilon na cabeça e t-shirt de manga cava branca a admirar um quadro de Picasso; porque foi a única cidade onde uma pessoa totalmente estranha me ofereceu, no metro, um guia com as actividades culturais mais recentes; porque é a única cidade em que italianos, russos, ucranianos, israelitas, franceses, ingleses, portugueses, chineses… vivem em conjunto e choram os mortos comuns; porque é a única cidade onde vi um museu que sempre esteve pintado de branco, todo pintado de preto; porque é a única cidade onde vi uma missa às nove da manhã cheia de juventude. Mas também é verdade que não conheço o mundo todo.
(continua)
Desta feita ando a fazer umas programaçõesitas em Flash e fiz uma pequena jukebox aqui para o blog. Vejam lá se funciona bem e digam qualquer coisa, sff. É aí no canto superior direito, onde diz, clique para entrar. Só convém é banda larga! Gracias!
Eu pertenço à minoria que não está contra o governo nisto do aumento das propinas (e nem sou PSD). Não vou fazer aqui nenhuma declaração enorme sobre os meus motivos, até porque já o tenho feito aqui. Mas há um pequenino exemplo de que me lembrei, de que quero aqui deixar e que revela a hipocrisia de quem se revolta contra as propinas por serem socialmente injustas:
– se o custo real médio de um aluno no ensino superior andar à volta dos €4000/ano (o que é mais do que razoável) e um aluno pagar de propinas €856, então paga cerca de 25% do custo da sua educação ao estado.
– na cantina do IST, uma refeição custa €1,80. Se o custo real da refeição for €5 (o que também é um valor muito razoável), então um aluno está a pagar 36% do custo da refeição! Se for um desterrado, mesmo que cozinhe no sítio onde está alojado todos os almoços e jantares, duvido que consiga obter um preço inferior a €1,80/refeição.
Proporcionalmente, uma refeição numa cantina é socialmente mais injusta do que as propinas, mesmo no valor máximo (se for um aluno que almoce todos os dias na universidade, durante 36 semanas – 70% do ano – tem de pagar €324, quase tanto como a propina antiga, que já em tempos também ouviu o não pagamos). E porque é que ninguém protesta contra os €1,80? Porque aí não se poderia ocultar tão bem o ridículo da situação como atrás do número 856.
Mais uma vez digo, se for para protestar contra a falta de condições de algumas instituições, contra a injustiça e insuficiência das bolsas, ou outras coisas realmente em falta, lá estarei. Para dizer que as propinas são socialmente injustas e elitistas, por amor de Deus…