24 de novembro de 2003

Mais uma teoria. Porque é que as pessoas fumam?
Factos:

– todos sabem que fumar faz mal
– todos sabem que não acontece expontaneamente; tem de ser induzido
– depois de se estabelecerem como fumadores, dizem sempre uma das duas:

– isto faz mal. comecei quando era puto estúpido. tenho de parar.
– isto faz mal. comecei quando era puto estúpido. mas não consigo parar.

Conclusão: As pessoas fumam para terem tema de conversa (sobre o parar)

24 de novembro de 2003

19 de novembro de 2003

a solidão inquebrável é horrível. querer puxar alguém para nós. mas nada. não se pode.
todos os dias entre a multidão. toco em ti. tu em mim. encontrões. e abro a boca. mas não sai nada. qual é a parede invisível? quem a pôs lá? e porque é que é intransponível. cada vez mais sei, que nenhum de nós é. todos somos. há uns que julgam que são.

19 de novembro de 2003

18 de novembro de 2003

Há música que só consegue ganhar o seu esplendor máximo quando ouvida em alto e bom som na via pública. E como a vida ainda não tem banda sonora personalizável e temática e não convém aborrecer o insimultâneo próximo, temos de recorrer ao Walkman.
Por entre a multidão. Correm, sem deixar de andar. Parece que deixaram tudo para trás. Querem chegar lá? Ou simplesmente fugir? De quê? Eu estou no meio das pessoas. Canto. Ouço coisas que elas não ouvem. Elas não me ouvem. E seguimos todos juntos. Porque estou com elas? Ah! É o mundo!
E depois há pequenas imagens. Pequenas cenas, separadas, aqui e ali, que, se as soubesse juntar, contariam uma bela história.
No fim, estou só eu; onde outrora cavalgaram milhares de obreiros, sobram agora apenas as paredes e o vento. E discreta, numa esquina de um café abandonado, estás tu, a olhar, com aquele sorriso algo malévolo: “Deixa-te disso. Foi bom?”
Obrigado
nota oficial: eu não adormeço em concertos – apenas sucumbo à beleza da música

18 de novembro de 2003

17 de novembro de 2003

Pronto, rendo-me!
Nos últimos dias, coloquei aqui uma divagação sobre o conceito de perfeição. Foi um devaneio mental, confesso, e embora não possa afirmar que tenha razão naquilo que disse, achei interessante o descobrir que dentro de mim há duas concepções de perfeição. Achei o resultado agradável. Mas isto sou só eu. E posso não ter razão nenhuma.
(Achei também piada o facto de muitas pessoas terem comentado. Nunca pensei que fosse tema tão polémico. Ainda bem!)

17 de novembro de 2003

16 de novembro de 2003

Tantas perguntas… o que é a imperfeição, o que é um raciocínio o que é a perfeição? Parece que, pelo menos aqui no blog, andamos todos atrás dela!
Vejamos, atrás disse que a Perfeição é o oposto do Nada, da não-existência. Será, então, que a Perfeição é o Tudo e a Imperfeição é o Nada? Não, acho que não podemos dizer isso. E também não concordo que se diga que a Natureza é perfeita e que a imperfeição é introduzida pela mão humana.
Não minha concepção de Deus, o Homem é a sua mais bela criação; ou antes, o Homem é a mais bela realização até agora por nós conhecida, construída com as peças que Deus deixou no Universo. Ele é perfeito, e sem dúvida a criação com mais potencialidades, com mais capacidades. Tem a possibilidade de criar. E isso é sinónimo de perfeição. Mas serão as suas criações entidades perfeitas? É certo que não; mas só em certo sentido. Pelo facto de serem, como o nome indica, objectos criados são perfeitos, mas do resultado da sua funcionalidade pode sair outra caracterização de perfeição ou imperfeição.
Acho que só neste sentido de perfeição funcional, perfeição operacional, é que existe imperfeição. E só. Assim, acho que afinal se pode caracterizar a Perfeição como o Tudo e a Imperfeição, como o Nada. São duas palavras numa só. Nesta acepção, o Homem só cria imperfeição quando destroí e dessa destruição nada se cria – conscientemente.
Quanto ao raciocínio. Bem, eu não lhe adicionaria mais do que aquilo que está no dicionário.
Mas isto sou só eu…

16 de novembro de 2003

13 de novembro de 2003

Depois de escrever a entrada anterior, reparei que feio é, mais correctamente, antónimo de bonito. Belo é tembém sinónimo de bonito, portanto o que escrevi não está totalmente errado. Porém, penso que na construção do texto uso mais o significado de perfeito do adjectivo belo. Assim, o racicíonio conduz a que é efectivamente a Perfeição que se opõe à não-existência.
E agora a pergunta: o que é a imperfeição?

13 de novembro de 2003

9 de novembro de 2003

O fim da dicotomia
É habitual dizer-se que só existe o Belo, porque existe o Feio. Todas as caracterizações existem por força de antagonismo. É-o verdade, no caso das comparações.
Quem acredita em Deus, consegue ver na Natureza a maravilha da sua criação. Vê no complexo e intricado processo de funcionamento do mundo, do universo, a beleza divina.
De que o funcionamento do mundo é complexo, todos concordamos. Somos também unânimes em concordar que todo esse maravilhoso processo é belo. E geralmente admiramo-nos quando reparamos nos belíssimos pormenores e como todos eles encaixam tão bem.
O que raramente nos apercebemos é que as coisas só existem tal como estão, o mundo só se apresenta da forma em que está, exactamente porque as coisas encaixam tão bem. Por exemplo: é o processo de empilhamento de tijolos que nos permite criar edifícios. Por mais belos que sejam os edifícios, eles só existem porque se conseguiu desenvolver um processo de empilhamento de tijolos. Podemos admirar esse processo, a sua beleza, mas se não existisse, não haveria edifício.
O que quero dizer, então? É que as coisas existem, não porque o processo que lhe permite existir seja belo, mas porque o processo existe! Vejamos: o mundo tal como é não poderia existir se houvesse um processo feio de o criar. O mundo só existe porque há este processo; que dizemos que é belo! A alternativa a este processo é a não existência. Ou seja, das duas uma: ou o mundo existe, ou não existe. Se existe, só pode ser desta maneira.
Conclusão: o Belo não existe por oposição ao Feio. O Belo existe por oposição à não-existência. O Belo existe, pelo simples facto de haver algo que existe.

9 de novembro de 2003

7 de novembro de 2003

Há muita gente que gosta de dizer mal dos americanos e da América. Mas têm muitas coisas boas. Não é disso que vou falar; apenas pretendo tomar para discussão a festividade do dia de Acção de Graças, que lá é levada a sério e cá nem sequer é recordada.
Hipocrisias à parte – há-as sempre em qualquer ocasião – o dia de Acção de Graças serve para isso mesmo: dar Graças. Os americanos acham que devem agradecer a Deus o sucesso da sua vida. Mais do que isso, a grande maioria dos americanos, mais que ser patriota e independentemente de estar ou não a favor dos seus governantes, está grata àquela nação. Grata por um efectivo sentimento de capacidade, de realização.

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foto de David F. Gallagher

Por outro lado os habitantes da Tugolândia (estou a considerar mandar a sua Excia. El Presidente esta proposta de alteração de denominação da mui nobre metrópole), dizia eu, os habitantes do nosso Império aproveitam toda e qualquer ocasião para criticar, deitar a baixo e reinvindicar os seus direitos.
Sim, os nossos concidadãos (tu, eu), ou quase todos, sentem-se injustiçados pelo simples facto de o estado não subsidiar a nossa existência como cidadãos nacionais. Claro! Têm sorte de EU ter nascido cá!
Não me digam que os portugueses (como eu) passam a vida a deitar o espírito nacional a baixo… É verdade! Nós somos uns ingratos.
Outra coisa que se ouve muito os pais a dizerem aos filhinhos… já que o país está tão mal: é cada um por si; não confies em ninguém excepto em ti mesmo. O mal disto tudo é, novamente, a ingratidão, que leva, inevitavelmente, ao egoísmo.
Ora vejamos: as coisas estão tão embrenhadas em nós, tão inconscientemente adquiridas, que nem sequer vemos como é que elas podem sequer existir. Eu estou aqui a escrever num computador, a utilizar uma rede informática, que por sua vez depende de uma rede de energia eléctrica. Estou sentado num estrado de madeira, que está assente no chão do apartamente, que está inserido num prédio. Há engenheiros que desenharam isto tudo. Técnicos que mantêm a sua qualidade e segurança. Há pessoas responsáveis não só por inventar tudo aquilo que utilizamos no dia-a-dia, como encarregadas de zelar pelo seu funcionamento.
E será que sabemos como é que isso é feito, como é que as coisas funcionam? Não. Será que nos lembramos dessas pessoas? Não. Só nos lembramos do quanto NÓS contribuímos para a sociedade, dos impostos que NÓS pagamos. Portanto, as nossas vidas, por mais independentes e autónomos que sejamos, estão diariamente nas mãos de outros. Verdadeiramente nas mãos dos outros. Ainda bem que, talvez inconscientemente, há tanta a gente a cuidar de tantos outros. É isto a que eu chamo um super-grau de organização e de supra-consciência, mas isso fica para outro dia. Agora só me resta dizer: dêmos graças.

7 de novembro de 2003

7 de novembro de 2003

Pelo meu amigo Luís, que tem muita razão:

Estava a ler esta crónica e estava a pensar exactamente no síndroma do narcisista dependente. Basicamente diz que não basta olhar-se ao espelho e achar-se o maior, mas tem que se mostrar aos outros para que lhe digam, “epá, és mesmo bom!”. Tenham curiosidade, leiam alguns blogs. Embora com raras excepções, a grande maioria é uma cambada de gente a dizer mal de tudo e todos, sem nenhum sumo literário, mas mais aquele bocado de polpa nojenta que fica presa no fundo das garrafas de plástico (quem bebe jói sabe do que estou para aqui a dizer). É a nossa necessidade de comunicar, de sermos aceites, compreendidos, queridos.

(in www.100ideias.org)
ah!, os imortais, os imortais… (o homem que diz isto tem mesmo jeito para a coisa)

7 de novembro de 2003

6 de novembro de 2003

Há agora uns anúncios, para mim, diferentes dos outros. É claro que um dos primeiros objectivos de toda a publicidade é fazer com que nos identifiquemos com as situações descritas e depois criar desejo, vontade de adquirirmos o que é que anunciem.
Mas agora há uns anúncios que acho extremamente manipuladores. Ou então sou simplesmente eu que sou susceptível demais. Ora… são os anúncios da Optimus e da Vodafone, talvez alguns da Coca-Cola e provavelmente outros dos quais já não me lembro. Falam todos de jovens, num tom nostálgico, com luminosidade de pôr-do-sol, em tempo de verão (também conhecido por muitos como férias) – de amizades, de amor, de alegrias, de despreocupações. Será? Ou só sou eu que imagino?
É um bom marketing. Não sei como é que um telemóvel me vai fazer chegar lá, mas é o princípio mais humano, aquele a que eles se dirigem: à vida – uma vida grande e plena, cheia de amor e de amizade. E não é isso que todos queremos? E tudo incorporado nos mais belos jovens.
Não estou aqui a discutir a publicidade. Estou a verificar um dos mais fortes e brutais desejos humanos. Viver bem. Farto. Pleno. Uns mais poéticos, outros mais materiais…
Ah!, os imortais, os imortais….
(percebe-se?)

6 de novembro de 2003

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