12 de Outubro de 2005

A maneira como as eleições foram cobertas é mero reflexo daquilo que é o “interesse conduzido” português, a meu ver devido, na sua grande maioria, à comunicação social, ou antes à alienação que esta teima em advogar.
Quando os computadores do STAPE estavam a dar o berro, os únicos dados que se sabiam (por estarem constantemente no rodapé) provinham de Lisboa, Porto, Faro, Felgueiras, Oeiras, Gondomar e um ou outro Concelho. Porque terá sido? Será que só havia jornalistas nesses locais?
Já antes o tempo de antena dado aos concelhos modelo era bem maior que aos restantes. De facto quase ninguém se interessou em entrevistar o candidato que derrotou Avelino em Amarante. O Avelino ia à vida, qual o interesse em estar lá? Os brancos/nulos mais uma vez são por todos esquecidos.
Mas as culpas não ficam pelos media. Nos discursos dos líderes partidários não havia quem não malhasse no governo, entremeando estas palavras com apelos à necessidade de distinção dos propósitos das diferentes eleições.
Mas logo a seguir, vinha uma caridosa jornalista perguntar:
– E quanto às presidenciais?
– Minha senhora, vá à merda – só não verbalizado por questões de decoro.

You win it’s your show now
So what’s it going to be?
Because people will tune in
How many train wrecks do we need to see?
Before we lose touch
And we thought this was low
Well it’s bad, getting worse….

Where’d all the good people go?
I’ve been changing channels and I don’t see them on the tv shows
Where’d all the good people go?
We’ve got heaps and heaps of what we sow
(…)
Station to station desensitizing the nation
Going, going, gone.

12 de Outubro de 2005