5 de Dezembro de 2013

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O arando-vermelho – que nunca tinha provado antes de vir aos EUA, e que aqui se chama cranberry – é uma baga ácida, não muito agradável de se comer sem ser em compotas ou outros doces. No entanto, o processo de cultivo e colheita é interessante.

Colheita de arandos
Cranberry bog

As bagas são geradas por uns arbustos – tecnicamente são caméfitos – rasteiros e pouco rígidos, pelo que a apanha, quando não manual, é com umas máquinas com uns pentes que abanam as plantas até o fruto cair e depois as apanham. O processo é moroso e requer que o solo esteja bastante horizontal e pouco acidentado, para evitar que o pente esteja muito alto ou desenraíze as plantas. Um outro método recorre à criação de pauis artificiais em que se plantam os arbustos. Cada paul é inundado na altura da colheita e são utilizadas alfaias agrícolas, novamente com pentes, que agitam os arbustos e arrancam as bagas. Estas, menos densas que a água, flutuam. Assim tornam-se mais fáceis de recolher.

A colheita dos arandos
A colheita do arando-vermelho

Como as bagas são muitas, o paul recobre-se dum manto vermelho vivo e as cores geradas criam um efeito verdadeiramente belo.

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Recolhendo as bagas

5 de Dezembro de 2013   ·   2 Comentários

28 de Novembro de 2013

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O Ciência Hoje fechou. Numa altura em que já nem os jornais nacionais têm secções exclusivamente dedicadas à ciência, o Ciência Hoje era responsável, desde há anos, por um importante trabalho de divulgação de Ciência, não descurando a produção nacional.

A Ciência é fundamental para o desenvolvimento das sociedades. Nós portugueses temos disso exemplo caríssimo na transformativa expansão marítima de há séculos. E agora, numa sociedade cada vez mais complexa, a Ciência é fundamental para solucionarmos muitos dos problemas que enfrentamos. Sendo que há muitos aspectos a ter em conta na promoção duma sociedade conhecedora, é inegável que a divulgação e difusão pública do conhecimento da Ciência é um factor fundamental e imprescindível.

Quando ouvi as novas do fim do Ciência Hoje, fiquei espantado pelo baixo valor do orçamento que necessita para sobreviver. O Ciência Hoje vivia ultimamente sobretudo de dotações estatais que, no contexto actual, acabaram. Por isso precisa da nossa ajuda para poder continuar.

Nos dias que correm temos solicitações de toda a parte e, claro, não podemos acorrer a todas. Mas se há projectos que consideramos fundamentais e se temos capacidade, devemos contribuir. A minha contribuição é magra, mas ajudei a criar uma campanha de angariação de fundos. Em Portugal, não há grande tradição deste tipo de financiamento, mas há casos que merecem a intervenção da sociedade civil. Se puderem ajudar, contribuam aqui. Obrigado pela ajuda e por toda a divulgação que possam fazer.

28 de Novembro de 2013   ·   Sem Comentários

Fall/Boston | Outono no Public Garden, Boston.

23 de Outubro de 2013   ·   Sem Comentários   ·   in English

8 de Outubro de 2013

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Vou recorrer a Shakespeare:

You common cry of curs! whose breath I hate
As reek o’ the rotten fens, whose loves I prize
As the dead carcasses of unburied men
That do corrupt my air, I banish you;
And here remain with your uncertainty!
Let every feeble rumour shake your hearts!
Your enemies, with nodding of their plumes,
Fan you into despair! Have the power still
To banish your defenders; till at length
Your ignorance, which finds not till it feels,
Making not reservation of yourselves,
Still your own foes, deliver you as most
Abated captives to some nation
That won you without blows! Despising,
For you, the city, thus I turn my back:
There is a world elsewhere.

The Tragedy of Coriolanus

8 de Outubro de 2013   ·   Sem Comentários

27 de Setembro de 2013   ·   Sem Comentários   ·   in English

23 de Setembro de 2013

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No Público de Sexta-feira vinha um esperançoso artigo intitulado “O português conquistou a Internet, agora quer ser língua oficial nas organizações internacionais”.

Na Internet, o português já é a quinta língua mais usada. Nas redes sociais – Facebook e Twitter – é a terceira. Também alcançou esse ranking, terceiro mundial, nos negócios de gás e petróleo, em grande parte graças a Angola e Brasil. Entre as áreas a conquistar, estão a ciência e a diplomacia.

“Conquistou a Internet?” “Em grande parte?” – Digo que o artigo é esperançoso para não dizer fantasioso. Sim, se formos pelo número de falantes até podemos ser a quinta língua mais usada na internet (graças aos brasileiros). E depois? O número absoluto de falantes é, claro, importante, mas a não ser que haja uma revolução de natalidade, pouco poderemos fazer contra o inglês, o cantonês e o mandarim, ou mesmo o espanhol.

Um exemplo – perguntem à Siri que línguas fala:

Línguas da Siri

O português provavelmente vem a caminho, mas a pressa é muito pouca. E para os que acham que a Apple é elitista e não quer saber dos pobrezinhos, a Google demorou quatro anos a implementar a língua.

Para o bem ou para o mal, aquilo que determina o poder da língua é sobretudo económico, em dois aspectos fundamentais. O primeiro é a economia pura e dura: língua de negócios, língua franca de interesses económicos e financeiros. Goste-se ou não. E é por isso que a Siri fala alemão e francês, coreano e italiano.  O segundo é a cultura: uma presença forte e indispensável. A cultura em si mesmo tem uma dimensão económica – a indústria cultural e turística – mas é muito mais que isso.

Ninguém fora da lusofonia vai conduzir negociações diplomáticas importantes em português. Ninguém vai usar a língua em organismos internacionais. É pura fantasia. Assim como é fantasia tentar usar o português como língua de ciência.

“A língua de ciência a nível mundial é o inglês. Mas isso não significa que outras não se assumam como línguas em que se pode escrever o resultado da ciência realizada”

Há muita coisa a fazer para a ciência portuguesa (ou lusófona) se desenvolver e esta não é, claramente, uma prioriadade. Devemos esforçarmo-nos por divulgar ciência em português? Claro que sim, mas os esforços tem de ser bem medidos e alocados. O mesmo se tem de passar na cultura: há que preservar e desenvolver o que resta dos nossos créditos históricos e do respeito que algumas das outras civilizações (nomeadamente as Orientais) ainda têm por nós. Há que aliar isso aos esforços económicos. Há que ter uma política coerente de ensino e promoção da língua, que não pode flutuar ao sabor de governos e nomeações e que, a ser considerada prioritária, não pode ser abandonada à menor dificuldade.

A cultura da língua portuguesa só será defendida se se promover a cultura dos que a falam. Apoiar, criar e divulgar o que se faz no nosso país (e no resto da lusofonia). Com trabalho, inteligência, estratégia e qualidade a conquista da língua virá de seguida. E o mais curioso é que esse trabalho até pode (deve) ser feito em inglês, ou mandarim, ou francês, porque para já, se não fôr, poucos o entendem.

23 de Setembro de 2013   ·   1 Comentário

LA → SF | Pela costa do Pacífico acima.

21 de Setembro de 2013   ·   Sem Comentários   ·   in English

20 de Setembro de 2013

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Pela costa do Pacífico acima, entre Los Angeles e a São Francisco, e porque seguíamos na companhia de uma pessoa não portuguesa, íamos procurando os vestígios da emigração lusa. No meio de tanto espanhol é difícil, mas imbuídos dum nacionalismo jocoso lá íamos tentando desencantar raízes. Tudo começara com Juan Rodríguez Cabrillo, ou antes, João Rodrigues Cabrilho, o primeiro explorador europeu da costa californiana, ainda que ao serviço de Espanha, cujo nome designa a porção da estrada US 1 ao longo da costa entre Santa Barbara e São Francisco.

A certa altura essa pessoa sugeriu que se parasse na Duarte’s Tavern – porque já tinha ouvido elogios – para irmos comer uma das famosas tartes. Duarte – não é nome que possa ser espanhol. Pelo menos não nos veio nenhum Duarte espanhol à cabeça, pelo que tinha de ser português. A história da taberna, que tenhamos visto, não mencionava grande coisa sobre uma possível luso-descendência – algo estranho, já que as comunidades emigrantes tendem a assumir-se com orgulho, pelo menos quando já estão bem integradas. Sabíamos que existe uma enorme comunidade luso-descendente na costa Oeste – menos concentrada, geograficamente, que a da Nova Inglaterra, mas quase tão grande – e olhando para os retratos das quatros gerações de Duartes que desde 1894 gerem a taberna, não havia grande margem para dúvidas. A confirmação veio com um retrato: cowboys, numa fotografia a preto e branco do final do século XIX ou início do século XX, uma dúzia deles, todos alinhados e com os nomes escritos por baixo. Além de Duartes, havia Bettencourts e os famosos Enos. Lembrei-me da história do professor Onésimo, que aqui segue:

Causou-me sempre espécie o facto de encontrar nas listas telefónicas de Fall River, New Bedford e Providence o nome Enos (com o). A princípio julguei tratar-se de mais um erro de ortografia, possivelmente por culpa do burocrata dos serviços de emigração, como aconteceu com Cardoza, Oliviera, Viera, Ferriera, Mediros, entre tantos outros. A minha surpresa surgiu quando descobri que as famílias que conheci com esse nome eram de origem micaelense. Ora, em São Miguel, «Enes» não é um nome vulgar e nem sei mesmo se existe. Conheço-o na Terceira, no Pico e em São Jorge, mas não em São Miguel. Há meses, numa conferência da série que o Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros da Universidade de Brown promoveu sobre a história da presença portuguesa nos Estados Unidos, encontrei um luso-americano reformado (engenheiro, esteve destacado na base aérea das Lajes na década de 50), que dedica muito do seu tempo livre a investigar vestígios da presença portuguesa na América do Norte. A propósito, referi-me de passagem ao facto de os portugueses já não mudarem de apelido, como faziam antigamente, muitas vezes a seu próprio pedido. «Não é verdade!» – reagiu o senhor Amaral. «Ainda há meses chegou aqui uma família de São Miguel, e os familiares, que já cá estão há muitas décadas, disseram-lhes que deveriam mudar o apelido, porque em inglês o que correspondia ao seu apelido português era “Enos”». Perguntei então ao meu interlocutor: «E qual era o apelido português dessa família?» «Inácio» – respondeu-me.

Caí em mim e naquele momento resolveu-se-me o mistério: «Enos» deveria ser nada mais nada menos do que a transcrição fonética de «Inácio» pronunciado à micaelense «Inóce», que terá naturalmente sido como o funcionário da imigração americana há muitos anos registou por escrito o som que lhe foi transmitido por alguém da família e que, como era comum, provavelmente não sabia escrever, daí ter simplesmente ditado o nome.

Onésimo T. Almeida, Comunidades portuguesas dos Estados Unidos; identidade, assimilação, aculturação

Para quem tiver interessado sobre a história da taberna, uma peça da NPR aqui. E as tartes eram mesmo boas!

[Foto: Frank e Maria Duarte, emigrantes portugueses que em 1894 compraram por doze dólares em ouro um terreno em Pescadero, CA, que incluía uma taberna. via NPR da Colecção da Família Duarte]

20 de Setembro de 2013   ·   Sem Comentários

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Martha’s Vineyard | Long Cove pond

19 de Setembro de 2013   ·   Sem Comentários   ·   in English

ao telefone
Em Milão | ao telefone

10 de Setembro de 2013   ·   2 Comentários   ·   in English