No outro dia, a propósito de uma pergunta que eu fiz sobre a razão da existência da pink lemonade, um colega lá do laboratório saiu-se com esta: -- "Sim, porque as laranjas também não são côr-de-laranja, são pintadas". A princípio pensávamos que o homem estava na reinação. Afinal não. Estamos a falar dum doutorado em bioquímica.
Há erros legítimos que vêm de longe, no entanto, este é extraordinário. Escusado será dizer que deu para rir a bandeiras despregadas. No entanto, a história têm algo de verídico. Após deambulações pela net dei de caras com o antigo costume de se pintar laranjas. Ao que parece nos dias de hoje é proibido, no entanto antigamente servia para dar côr às laranjas que crescem em determinados sítios, onde o calor não é suficiente para fazer com que a coloração alaranjada tome lugar. E esta, hein?
Extraído de vários episódios do Portugalex um dos melhores programas de comédia dos últimos anos, a par dos Gatos.

Outra coisa que anda muitas vezes no corpo dum americano, para além do biberão, como lhe chamam os pais da Luísa é a sweatshirt da universidade em que se licenciaram.
Claro que para toda a gente, aqui ou aí, a passagem pela universidade é um marco importante na vida de quem passou por essa experiência, e recordar o sítio e o tempo onde parte da força da juventude foi investida é sempre um exercício que joga com as emoções, especialmente se for feito colectivamente. Assim, sem dúvida que andar com o nome da universidade ao peito é uma maneira de recordar um pouco esse tempo, mas mais que isso de mostrar aos outros de onde se vem.
Não penso que isso seja, na maioria dos casos, uma forma de mostrar superioridade, isto é, afirmar que se foi à universidade, ou mesmo dizer que "a minha universidade é melhor que a tua". Haverá certamente casos em que sim, mas penso que a maioria usa por um sentimento subconsciente de identidade. Grande parte dos americanos que vai para a universidade (não as community colleges, que são uma espécie de pré-universidade para os mais desfavorecidos ou com fracos resultados académicos no liceu e que servem, muitas vezes, ou para uma formação básica, ou para corrigir trajectórias e relançar percursos académicos), vai pelo menos para fora da sua cidade, quando não, muitas vezes, para fora do estado. E mesmo dentro do estado, nem sempre dá para vir a casa ao fim-de-semana, como se faz muito em Portugal, ou pelas distâncias, ou pela falta de transportes, ou porque simplesmente não se faz.
Assim, muitos dos jovens quebram a ligação à terra natal aos 17, 18 anos e muitos não a reatam já que a mobilidade dos americanos é muito grande. Assim e apesar de serem só quatro a cinco anos da vida de cada um, a universidade passa a ser uma marca identitária muito grande. Subconscientemente aquela camisola diz-lhes de onde eles vêm, quem são. Numa terra onde a gastronomia raramente representa uma marca regional e as chains servem o mesmo no continente inteiro, onde as equipas, muitas vezes chamadas franchises, às vezes mudam de sítio porque não há assistência suficiente, todos (ou quase todos) falam a mesma língua e os gostos são muitas vezes direccionados para as mesmas coisas, a identidade de cada um é criada de forma um pouco diferente do que nós estamos, ou pelo menos eu, estava habituado. A sweatshirt é importante para eles.
E hoje faz exactamente dez anos que morreu o meu pai.

Before The Devil Knows You're Dead
Falou-se muito do No Country For Old Men que, com razão de sobra, foi premiado pela sua história de violência, numa América profunda. Before The Devil Knows You're Dead não tem a reflexão fargoana, mas a brutalidade da história, juntamente com os brilhantes papéis urbano-depressivos de Philip Seymour Hoffman e Ethan Hawke, combinam-se numa narrativa que literalmente dá a volta ao estômago a qualquer um. Para finalizar um brilhante filme, a forma como a história é contada, em diferentes perspectivas e cronologias.
Apple products work. And if you by more than one, they work better. FORTUNE
O MIT, como campus, não é geograficamente muito extenso. Talvez uma vez e meia a cidadade universitária de Lisboa, embora com muito maior densidade. Há dias, a propósito da construção do novo instituto para o estudo do cancro, cuja primeira pedra foi lançada há poucos meses, a Presidente do MIT falava duma oportunidade única para concentrar no mesmo lugar físico a comunidade científica que se encontra dispersa pela universidade. Note-se bem, dispersa pela universidade.
Esta é uma evidência que, apesar da internet e de todos os meios de comunicação existentes e que sem dúvida facilitam a troca de ideias e promovem a colaboração, não é facilmente ultrapassada. Desde que cá estou que notei uma grande ausência de artigos europeus da discussão científica. Não é que na Europa não se faça ciência de qualidade, mas a verdade é que o sair da porta do laboratório e encontrar logo ali um especialista da área é uma conveniência muito grande e que acaba por limitar a necessidade de se estender os braços para o resto do mundo. Não digo que isto elimine a necessidade de colaboração internacional, não, nada disso. Mas numa cidade como Boston, com instituições como o MIT, Harvard, Boston University, Mass General e por aí adiante, todas à distância de umas poucas estações de metro umas das outras, a necessidade de se procurar coisas além muros é muito menos evidente. Mas também demonstra a fragilidade que podem ter projectos científicos geograficamente dispersos. Ou melhor dizendo, sem massa crítica humana relevante.

Depois dos The Delgados, mais uma banda a colecção bandas que me chamaram a atenção pelo nome que têm, Portugal. The Man, direitinhos do Alasca.
What is it about Portugal The Man that makes them stand out, that separates them from every other rock band?
Is it due to an unconventional upbringing in the magical and menacing tundra of the Land of the Northern Lights? Maybe it has something to do with their visceral live shows, their effortless ability to create concert experiences that differ wildly from night to night. Or perhaps it's due to the bond they actively forge with their ever-growing fan base evidenced by their showing up to in-store signings, radio stations or interviews with personalized paintings for their supporters.
I just don't get the name.

No MIT, em cada corredor há um bebedouro. Destes, a grande parte é refrigerada, ou seja, tem um frigorífico por baixo que faz com que a água saia fresquinha. Mesmo que não houvessem estes bebedouros, concerteza ninguém morreria à sede nestas redondezas, já que ao sentar-se num restaurante, qualquer pessoa é imediatamente oferecida um copo de água, normalmente gelada. E se se consumir água à refeição, num restaurante, a não ser que seja explicitamente pedido que esta venha numa garrafa, água mineral, portanto, ela virá num jarro e sem custo. No entanto a grande maioria das pessoas anda com um cantil na mochila, como o da figura acima. E não são pequenos, na maioria dos casos à volta de litro, havendo até, muito embora raro, quem traga garrafões de um galão (~3,5 L). Sinceramente, não percebo a obcessão.

Já devia ter escrito algo há bastante mais tempo. Mas não saía nada. O exame correu bem e a vida continua.
Há tempos, um colega meu começou a cantarolar:
"Take a look at my girlfriend
She's the only one i got (ba ba da da)."
"Nan nan nan nan
nan nan nan nan nan nan nan
Nan nan nan nan
nan nan nan nan nan nan
nan nan nan
Nan nan nan
Nan Nan
Nan nan nan"
É verdade, nós somos banhados pela cultura americana, talvez em demasia até. Mas é isso que contribui, em conjunto com tantas outras visões do mundo a que estamos expostos, para que de facto sejamos cidadãos globais. Portugal é pequeno, comparado com os Estados Unidos, mas às vezes as coisas aqui também são pequenas.