16 de Abril de 2013

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Hoje, tinha acabado de chegar a Danijela, vinda de Nova Iorque, e fomos comer qualquer coisa a um tailandês aqui ao pé de casa, em Fenway. O dia estava morno, mas agradável, com a Primavera finalmente a dar um ar da sua graça aqui em Boston. Durante o almoço ouvimos duas explosões. Estranhei. Pensei que fossem de uma construção, embora devesse ter chegado à conclusão de que não podiam ser, já que hoje é um quase-feriado aqui em Boston. É dia de maratona — a maratona de Boston — e durante a manhã houve jogo dos Red Sox. Estava imensa gente na rua a aproveitar o dia. A Danijela, croata, disse que fazia lembrar um canhão que todos os dias, pelo meio-dia, é disparado em Zagreb. Meia-hora depois telefonavam-me de Portugal a saber se estávamos bem. Só aí me dei conta de que tinha havido um atentado na meta da maratona de Boston, a menos de dois quilómetros dali, a dois quarteirões de onde vivia no ano passado, em frente ao prédio do consulado português, na montra duma loja onde já comprei uns óculos. O resto do dia foi deprimente. Não é que a escala do atentado tenha sido enorme, mas qual tiroteio numa escola, foi perpetrado contra pessoas que se reuniam num evento pacífico e de comunhão. Num dia em que quase todos nesta cidade param, saem à rua, apreciam a vida. E agora todos nos sentimos um bocadinho mais inseguros, num mundo que não precisa de mais disto.

16 de Abril de 2013   ·   in English