Acabou ontem, domingo, o rali Dakar deste ano. Desde há muitos anos que assisto atentamente aos relatos diários (antigamente no Eurosport, este ano no excelente magazine da RTPN, sem os anúncios maçadores do outro canal) durante 15 dias, no início de cada ano.
Para mim o Dakar é a prova; mistura toda a beleza do desposrto automóvel, com a prova de resistência física e psicológica que os pilotos têm de dar. É uma prova aberta a profissionais e amadores. Claro que estes últimos poucas hipóteses têm de ganhar, mas o Dakar é das poucas provas que restam (talvez a que mais se assemelhe seja a maratona) em que, embora ganhar seja importante, o fundamental é chegar ao fim. E tudo isto num cenário formidável, talvez mesmo o melhor do rali, que é África, em particular o Deserto.
Este ano foi também triste, como outras vezes já o foi. O Dakar é duro, mas é a derradeira prova.

E lá chegou. Sete anos de viagem (ainda me lembro de dizer ao meu pai: “lá vai ela. esperemos até 2004”; e lembro-me dos protestos, já que a Cassini tem um pequeno reactor nuclear). E é impressionante a capacidade de antevisão das pessoas que constroem estas sondas: é que não há testes – ou é ou não é. E é preciso esperar sete anos! Parabéns.
Falta pouco mais de um mês para decidirmos quem será o novo Primeiro-Ministro e o ano não podia estar a começar de maneira tão má, da mesma forma como tão mal acabou 2004.
Nem digo o porquê do não votar em Santana Lopes, inequívocamente o maior oportunista e mais profundamente incompetente político existente. Mas votar em PS, cujo facto de pôr Pina Moura nas listas de deputados diz tudo?
Eu apelo ao voto. Vâo todos votar. E votem todos em branco, para ver se se passa a mensagem que o queremos é políticos a governar-nos. Mas é claro que isso não vai acontecer.

Bom Ano de 2005 para todos.
A todos um bom Natal, cheio de amizade e bondade.
Em agosto já eu dizia aqui o que o Pacheco Pereira disse hoje no Abrupto.
Não me importava que houvesse um governo minimalista que tocasse o samba de uma reforma só. Que dissesse: vou gerir tudo como é habitual os governos gerirem, com competência, mas sem veleidades de mudar nada. No entanto, reformarei de fundo um aspecto da vida pública. Vou, por exemplo, desburocratizar. Onde são precisos cem papéis ficarão um ou dois. Onde demora um ano, vai demorar uma semana. E todas as pedras necessárias serão viradas. E durante quatro anos serei julgado por objectivos, como agora se diz. Talvez alguma coisa mudasse.
E a verdade é que acredito mesmo que é a única hipótese.

Jorge Sampaio a Santana Lopes, Palácio de Belém.
Na revista do Expresso de 20 de Novembro, num artigo intitulado “Lisboa, A Porta da Europa”, vem num cantinho da página a seguinte afirmação do presidente da Agência para a Modernização da Base Económica de Lisboa, João Pessoa e Costa:
O número de turistas e visitantes que escolheram Lisboa em 2004 já ultrapassou os que estiveram no Algarve.
Acho que isto diz alguma coisa importante. E diz a quem instala Ministérios do Turismo no Algarve que não tem presente os números que interessam.