25 de dezembro de 2003
Bom Natal para todos vós.
24 de dezembro de 2003
He woke up real fast. Time was, again, running away. He argued it was
Como todas as manhãs levantara-se cedo. Havia sempre muita coisa para fazer,
something genetic, but no one believed in him. He would always rush in
rotineira, é certo, mas gostava de ter tempo para tudo. Tinha vinte e dois anos,
the morning, never having enough time to eat breakfast. He was a cute,
era estudante de direito. Gira, sempre bem vestida e com muita classe. Sempre
good looking, fashionable, kind of uptight, smart and self-assured twenty-
fora uma pessoa extrovertida e dada, com muitos amigos, sempre tivera
two year old college boy, with a reasonable academic path. He was,
namorados, mas faltava-lhe a pessoa certa. Não é que os que tivera não fossem
however, at this time, a lone person. He’d always had liked to have time
pessoas sérias, ou agradáveis, mas simplesmente nenhum era a pessoa de quem
just for himself and there where things he’d rather do alone. But
ela poderia dizer é ele. Essa pessoa – agora queria encontrá-la. Não tinha que ser
that doesn’t mean he was a hermit, on the contrary, but sometimes the
alguém particularmente bonito, nem especialmente inteligente; é claro que todas
habit of doing some things on his own resulted in being often taken for a
as qualidades ajudam, mas o que ela realmente pretendia era alguém com quem
loner. That had always caused him some trouble. He was an abroad
ela pudesse ora estar o mais contente e alegre possível, ora estar uma enorme
student at cinema institute. Coincidences always had troubled him. What if
quantidade de tempo em silêncio sem que nenhum se sentisse incomodado. No
was his motto. Everyday he´d think of a random walk-by, an encounter
fundo, alguém que lhe conseguisse invadir pacificamente a mente. Existiria alguém
that would trigger some sort of event that would change his entire life. He
assim? Provavelmente não. Mas não conseguia vencer o sentimento interior da
didn’t believe in destiny or fate, but coincidences do often happen.
procura. Talvez acabasse desiludida – no fundo, não é aquilo que todos os seres
Everyday he’d stare at the faces of the subway passengers and choose one
humanos pretendem desde há milhares de anos e nunca conseguiram? Se calhar é
he’d like to meet, the one that would change his life. For years he did this,
porque nunca procuraram no sítio certo. Então o melhor seria ir tentar encontrá-lo
but nothing ever happened. Not a single contact had ever been fruitful. Of
num sítio pouco provável, de forma pouco provável. Onde? Ah! no metro! Mas não
course it wasn’t a great method of choosing the one. He’d just choose
indo-se sentar à beira das pessoas, falando-lhes depois. Não isso não. Teria de
desirable features. Anyway, he realized no fortunate event would take
estar atenta, ver o que se passaria e sentir o momento: sentir precisamente o virar
place by itself, so he decided to trigger what would be the first step on
dos mecanismos da vida. Mais ou menos a mesma coisa que um músico tem de
finding the person he lacked in his life. The next days he looked and
sentir para entrar a tempo na música. Ela teria de saber contar o tempo da vida. No
looked. This time it seemed no one was good enough, until one afternoon,
dia seguinte, entrou, como sempre, na estação do Cais do Sodré, em direcção ao
when returning home, he spotted out, by accident, a girl. The girl. Not that
Areeiro. E foi na estação da Baixa que ele entrou. Parecia uma pessoa diferente de
she had the perfect looks everyone dreams about. She just seemed to be a
todas as outras. Era bonito, com bom aspecto, com muito estilo, mas não era isso
really good person. To seem doesn’t imply that one is, but he thought it
que marcava a mais significativa das diferenças; era o seu olhar, como se estivesse
was worth the attempt. For some reason, he felt she was it. He decided to
à procura de algo, à procura de uma coisa deveras importante. E ela gelou. Perante
approach her. He’d had to trigger the moment, it was in his hands, the fate
a situação não conseguia fazer absolutamente nada, até que duas ou três estações
of an acquaintance. Step by step he got nearer. Suddenly, as he was side
depois, ele começou a olhar fixamente para ela e por fim acabou por se começar a
by side with her, the train stopped. He looked at her. She answered with a
dirigir no seu sentido. Não vinha ter com ela, meramente em direcção a ela. Seria a
smile. The moment was awkward. A bond was made and broken in a
altura de ela despoletar o momento. Mas não conseguia. Ele olhou para ela,
second. She left the carriage at that stop.
quando a composição parou, ela sorriu. E deslizou porta fora.
xxxxx a barreira invisível
20 de dezembro de 2003
Para acabar de vez com as torres.
Em Nova Iorque, apesar de o projecto seleccionado ter sido revelado já há algum tempo, fez-se ontem a mostra da torre principal do complexo, a torre da Liberdade. Vai ter mais de 500 metros de altura, o edifício mais alto do mundo – são mais de 100 metros acima do nível dos já por si gigantescos edifícios do WTC (ou seja, tanto como as torres de Alcântara – imaginem, uma torre das do Siza em cima de quatro torres do Siza já empilhadas – não conseguem). Ainda bem para eles. Ainda bem para mim, que assim tenho mais um motivo para voltar àquela cidade. O início da construção está previsto para meados de 2004 (lembrem-se que as obras que eram para estar prontas para o Porto 2001 ainda não estão totalmente acabadas)
Poderão achar que o que vou dizer é mentira, mas foi com esta genuína impressão com que eu fiquei depois de lá ter estado. Os americanos, em particular os nova-iorquinos, não vão construir o maior edifício da Terra para mostrarem ao mundo que são os melhores e mais poderosos. Eles vão construir o maior edifício do mundo, para mostrar a eles próprios que são capazes. Eu estou convencido disso.
19 de dezembro de 2003
Ainda bem. Decidiram voltar a atribuir o prémio Valmor (mais uma vez a arquitectura no blog…). E atribuíram muito bem: a nova Reitoria da Fac. Economia da Univ. Nova de Lisboa, ex-aequo com o edifício do ISCTE. Certo é que ninguém, ou quase ninguém deve concordar, mas não me ralo muito. A verdade é que ao princípio ninguém gostava do CCB, e agora…
Eu acredito no sistema de recompensa – embora haja quem ache que este tipo de funcionamento social, apenas serve para criar mercenários – aliás, acho que é indispensável. Este Prémio é uma forma saudável de manifestação deste sistema. Espere que continue, com prestígio, e que este tipo de incentivos sejam constantes.
13 de dezembro de 2003
Para finalizar sobre este assunto das torres. Quanto à beleza do projecto, pela única maquete que vi, pareceu-me interessante. Mas é claro que esse assunto é sempre discutível. Quanto aos restantes pormenores do empreendimento, pouco sei, mas sinceramente, para já, eram-me practicamente indiferentes.
A questão das torres, para mim, põe-se mais como um problema de alturas. Não é que os portugueses tenham vertigens, não. Têm é simplesmente vista curta. Assim, claro, não faz sentido construir prédios altos. Lá em cima só poderiam habitar estrangeiros, pois do alto do 45º andar, os tugas só conseguiriam ver até ao 37º. Não faz sentido.
As torres são o símbolo de tudo o que é arrojado, novo e ambicioso, mas sem serem utópicas ou ostensivas. Tudo aquilo que os portugueses já não têm vontade, paciência e sobretudo coragem para fazer – desde a arquitectura, à cultura, passando pela ciência, pela solidariedade social, pela justiça.
Demos Graças por há uns 450 anos ter havido alguém com tomates, que no fundo é o que conta, é ter tomates.
13 de dezembro de 2003
Fala-se no diabo… Nem sei para que é que tive alguma esperança…
Alcântara chumba torres de Siza Vieira
A Assembleia da Junta de Freguesia de Alcântara rejeitou esta sexta-feira o projecto do arquitecto Siza Vieira, para a construção de três torres gigantes. Os edifícios, de 35 andares, foram vetados pelo PSD, PS, PCP e Os Verdes.
Com 105 metros de altura, as construções seriam mais altas que a Ponte 25 de Abril. O projecto do famoso arquitecto português foi apresentado pelo grupo proprietário do terreno que deveria receber os imóveis. Foi liminarmente rejeitado já que viola o Plano Director Municipal (PDM) para zona, que permite apenas a edificação até oito andares.
in Diário Digital
O que vale é que ao menos ao coerência. Tanto PSD, como PS, PCP e Os Verdes estão unidos pela mesma pala. Pode ser que quando acabarem de construir a de Londres, a dôr de cotovelo venha ao de cima e então se façam projectos imensamente inovadores para a mais alte torre do mundo, com novidades tecnológicas nunca antes vistas em outros arranha-céus. Ai ai…
8 de dezembro de 2003
A maioria dos que lêem isto sabe do meu gosto por edifícios altos (e com altos quero dizer acima dos 100 metros, pelo menos). Cá em Portugal, por limitações mentais camufladas atrás de supostos PDM´s, nunca se construiu um prédio assim: “iria destoar do resto”. Mas é claro! O propósito é esse! E se não há cá nenhum, é claro que iria destoar! Vejam se em qualquer outro país onde há arranha-céus, o primeiro que foi construído não destoava do resto. Fiquei desiludido quando quiseram construir a Manhattan de Cacilhas e não deixaram, e ainda mais quando propuseram a Torre Biónica e também rejeitaram o projecto.
E se o meu país não acolhe os meus desejos, já que não tenho capacidade de os pôr em prática, vou procurá-los a outros lados. É o exemplo de Nova Iorque e, agora, mais recentemente, em Londres. Sim! aquilo é que é visão! aquilo é que é ousadia! Senhoras e Senhores a London Bridge Tower!


Vão ser 306 metros de pura construção em altura, no centro da capital inglesa, mesmo juntinho ao rio, desenhados por Renzo Piano (autor do Centro Pompidou). Um edifício ecológico com um recuperador térmico.
Por cá fico à espera do que vai nascer para os lados de alcântara…
6 de dezembro de 2003
Sejamos verdadeiros. Poucos gostam verdadeiramente de trabalhar neste país. Eu até desconfio que não seja das pessoas, mas da terra. Porém, como isso é impossível de provar, por agora temos de ficar pela culpabilização dos habitantes.
Numa altura em que conjectura anda mal, diz-se que os portugueses andam tristes, cabisbaixos, mesmo surumbáticos. Não admira! É que cada vez há mais coisas para comprar (e nem todas fúteis!), cada vez há mais coisas interessantes para fazer, cada vez as raparigas estão mais giras e ninguém tem dinheiro para nada (sim, o dinheiro é preciso para muita coisa, sobretudo quando a imaginação é pouca). E pior: melhoria à vista, não há; o que é pior quando se sabe que os portugueses se assumem como detentores de todos os direitos imagináveis, fenómeno que tem a haver com um obscuro sentimento de responsabilidade por terem de ser eles os herdeiros de 850 anos de história. Não é que os portugueses sejam incapazes, ou menos dotados. Eu acho que somos todos muito invejosos e o conceito de união é por nós extremamente mal entendido.
As tensões sociais agravam-se (agora despreza-se pessoas só porque (não) têm dinheiro; já nem é por classe social) e poucos são os que fazem as suas tarefas com amor-próprio e carinho. É nisso que desaparece a esperança: nos pequenos pedaços das nossas vidas. E parece-me que ninguém reparam nisso.
3 de dezembro de 2003
às vezes tenho que ter as coisas logo. não posso esperar. não há tempo. não há? claro que há! mas tem que ser logo, sem esperar, sem confirmar, sem conferir. e depois dá asneira.

26 de novembro de 2003
Inventei uma nova palavra: algazzara. É parecida com algazarra, mas não é a mesma coisa.
algazzara, s.f. – é um momento agitado, extremamente doce e movimentado, com um ritmo alegre e sofisticado, do foro emocional