26 de março de 2009

Ouvir nos auscultadores e ler:

A minha nome é…chama…Jomba.

Bom dia primeiro.
Muito bom dia, muito bom dia pró Cabo. Jomba.
Jomba é o seu nome.
É verdade.
Ah… O que é que o Jomba faz?
Eu são chefe de secção do merda, do Conselho Executivo de cidade, em Cabo Delgado.
Mas… qual é o trabalho? Pode descrever um pouco o seu trabalho?
Quer dizer. Dentro das possibilidade possibilitiva das latrinas melhorado e deteriorado, a minha trabalho é chefe de secção dos merda. Quer dizer eu anda toda o cidades para ver como que estão fazer a defecação e como que estão fazer o deita fora desses coisa latrina, mesma coisa a prender os pessoa que faz a cagação nos praia.
Mas olhe, vai-me desculpar. Falou aí em alguma coisa de melhorado e piorado… eu não percebi muito bem.
Embora que lá o hábitos de pessoa é um hábitos um pouco estranho. Faz no latrinas… Esse então são latrinas detiorado que caga qualquer lado… ou na rua ou a onde… Esse é detiorado. E depois tem latrinas melhorado aqueles pessoa que tem sentina, vai fazer cocó no sentina dele. Esse tá melhorado. Mas o nosso trabalho é controlar todo esse gente de Cabo Delgado.
Mas também nos falaram que, por exemplo, há muito desse problema no… nas zonas das praias. A bonita praia do Indo, por exemplo, que está a ficar poluída. Diga-me lá se isso é verdade e o que é que o seu sector tem feito para combater isso.
É por quanto nós que não conseguimos fazer nada por causa aqueles população tudo são vizinho co praia. Eles habitualmente como são nascido um preto do praia, não sei se é uma tipo de alimentação que eles também estão a dar aos peixe para desenvolver camarão como lagosta como não qu´está cheio no Inde. Agora nós tentemos e tentemos de tudos forma mas não tem uma maneira possibilitiva de fazer isto… sobre do quê? É que população faz a sua cagação de noite. Aí de dia nós estamos controlar mas mesmo assim pessoa dele tem muitos finta por causa aí no praia, no outro lado tem tipo montanha cos pedra. Ele esconde aí em baixo. Você só amanhã já encontra cheio de mina de cocó ali. Então pronto, o único maneira que nós também tentamos, quando apanhar um pessoa desse pode levar ele pagar multa, mas ele não tem dinheiro, ou mais ou meno vamos fazer uma obrigação de ele comprar latrina mas também não tem dinheiro. Problema dele é que também… eu não sei bem dizer… O Conselho executivo não tem dinheiro também.Câmara Municipal não tem dinheiro…

26 de março de 2009

21 de março de 2009

percursoformativo.jpg
Aproxima-se do fim o Battlestar Galactica*, provavelmente a melhor série de ficção científica dos últimos tempos. Foram quatro épocas e um bocadinho. Trata-se da fuga do que resta da humanidade, após um ataque genocida de robots humanóides que já antes tinham estado em guerra com os humanos após se terem revoltado. Galactica é o nome da nave espacial militar, da classe Battlestar, que lidera a frota dos sobreviventes. Não vale a pena contar muito da história, fica só a recomendação para que vejam.
A série tem vários ingredientes que a tornam, a meu ver, excelente. Talvez o principal seja que há uma história com princípio, meio e fim. Claro, há alguns remendos, mas não é daquelas séries em que cada episódio é uma história nova e, aparte do contexto, relativamente independente dos anteriores. Não é uma série de acção e aventuras, como a Guerra das Estrelas, mas partilha muitos elementos comuns. Em primeiro lugar, assume o futuro e o espaço. Não há nada pior que ser futurista, mas ao mesmo tempo ter que justificar o porquê das diversas tecnologias, culturas e seres. Claro, tem as suas falhas, mas na sua essência, somos imediatamente levados para um futuro (que à semelhança da Guerra das Estrelas, não é localizado temporalmente). Também é assumido o aspecto velho e gasto. Em Startrek, por exemplo, tudo é polido, novo e higiénico; aqui, como em Starwars, os heróis cuja história seguimos estão na mó debaixo por isso quase tudo tem um ar ultrapassado, gasto, obsoleto. Aliás, a série começa com a cerimónia de retirada de serviço da nave Galactica. Em ambas as séries os heróis são minoritários e pouco poderosos; fazem um combate de guerrilha contra um inimigo em grande medida desconhecido. O suspense é magistralmente conseguido.
Nesta série, no entanto, devido à duração, são abordados outros problemas mais complexos: como é que uma sociedade em fuga se reorganiza e se mantém viva? Como proceder militar e politicamente? Abordam-se também questões como a religião (porque a sociedade humana, na altura era particularmente religiosa, politeísta), os dilemas pessoais de algumas personagens, tudo sob a pressão dos opressores, que logo se sabe que também estão infiltrados na sociedade humana. A gestão e o interesse gerado por estes temas paralelos à história principal é também muito bem conseguido e, de entre muitas, o episódio do golpe de estado contra a estrutura dominante da sociedade dos sobreviventes é particularmente brilhante.
Deixo as pós-modernices das interpretações meta-físico filosóficas para outros. Limito-me a dizer que é uma muito boa série.
*Tecnicamente falando, a estas altura, a série já acabou. Eu é que ainda não vi o último episódio, portanto nada de estragar surpresas!

21 de março de 2009

19 de março de 2009

No outro dia a Elsa fez dois pães. Ficaram bem bons.
Os pães da Elsa
E elas fizeram parte do trabalho.
Leveduras

19 de março de 2009

14 de março de 2009



Falkirk Wheel
Mais aqui.

14 de março de 2009

14 de março de 2009

imac.jpg

14 de março de 2009

13 de março de 2009

Uns são mesmo maus professores, outros tiveram um lapso como todos nós temos. Um professor disse fuck num corredor e os alunos ouviram; outro bateu num aluno. Não são despedidos, não são suspensos, não são reabilitados. São transferidos para outro serviço: são colocados nas rubber rooms. Sete horas por dia, cinco dias por semana numa sala de espera onde não há nada para fazer, absolutamente nada. Uns ficam lá meses, outros anos. No fim, muitos são despedidos.

Felizmente, ainda não estamos nestes termos.
Referências
[1] – Where Teachers Sit, Awaiting Their Fates
[2] – Rubber Room Movie o filme está à procura de fundos para ser acabado

13 de março de 2009

12 de março de 2009

Em tempos foi assim.
Hoje, é isto.
carregar nos auscultadores

12 de março de 2009

12 de março de 2009



disponível em alta qualidade!

12 de março de 2009

10 de março de 2009

…a Boston.
The White House
O resto da viagem fica para depois.

10 de março de 2009

5 de março de 2009

mocidade_desenganada.jpg
Acto Um
Uma repórter a confundir a bandeira da Região Autónoma da Madeira com a do Estado do Vaticano. Na televisão, em directo. Foi isso que vi, por intermédio do Pedro Aniceto e que está registado aqui aqui. A tal repórter, se é que assim se pode chamar, cometeu três erros graves. O primeiro: não sabe identificar a bandeira do Vaticano. O segundo: não sabe identificar a bandeira da região da Madeira. O terceiro: pavoneia a sua ignorância
Eu não preciso que me num directo, ao que parece acerca do concerto da Madonna, me expliquem a origem da bandeira do Vaticano, de que portas são aquelas chaves que lá estão, o que significam aquelas as coroas empilhadas (vulgo tiara papal) ou mesmo a discrepância heráldica dos metais. Do mesmo modo que não estou à espera que se fale da cruz vermelha que está na bandeira da Madeira, a mesma que anda espalhada por tantos monumentos portugueses, nas caudas dos aviões da força aérea, nos navios dos descobrimentos ou nas medalhas que o Presidente da República atribui.
Só que o que se viu não é meramente um erro ou uma distracção. É fazer gala da falta de cultura. Talvez a repórter não o saiba, ou não o faça conscientemente, mas fá-lo.
vaticano-madeira.jpg
A verdade é que a repórter não pode ser culpabilizada única e exclusivamente por si só. Há que relativizar a sua culpa, então? Não, nada disso, há que nomear os diferentes responsáveis. A culpa é de um sistema educativo que não responsabiliza, de uma repórter que não tem consciência do que diz, de um empregador que não se preocupa e, no fim de contas, duma sociedade que não quer saber.
Claro, não estou à espera que nas escolas se ensine a bandeira do Vaticano, nem que a SIC exija dos seus repórteres um conhecimento enciclopédico. Mas verdade é que caminhamos para uma abundância da insignificância, em muitos casos agravada por uma tremenda e assustadora falta de brio. Não é só em Portugal, mas é dele que agora falo. A repórter não cora de vergonha, não pede desculpa (pelo menos pelo que sei); nas escolas e fora dela cada vez se exige menos, se responsabiliza menos; os empregadores não exigem qualidade, não seleccionam criteriosamente. Nos jornais, o que passa cá para fora é: uma agenda mediática seguidista e nada original, estagiários e jovens jornalistas de má qualidade, mas que são explorados, textos com um português medonho etc.
Eu confesso que leio jornais porque, tirando a parte dos cronistas que eu mesmo posso seleccionar, simplesmente aquelas empresas compram às agências noticiosas e me oferecem gratuitamente factos dos quais me interessa (às vezes) estar ao corrente. Cada vez mais (então se a agência noticiosa for estrangeira e os fornecer em Português) posso ler exactamente a mesma coisa em diversos jornais, até mesmo de diversos países. Isto é também uma mistura de industrialismo forreta com falta de brio profissional.
É curioso que na sociedade do conhecimento o conhecimento em si seja cada vez menos valorizado. Seja ele o científico, o artístico, o político, o jornalístico. Temos os deputados que temos, temos os jornalistas que temos, temos os alunos que temos; em grande parte porque o queremos, porque o merecemos.
Acto Dois
Chegou-me às mãos, através da Ana Paula, a seguinte imagem:
IEFP Jogador de Futebol.jpg
Passou-se em Dezembro de 2007. Não faço ideia se faz parte das Novas Oportunidades ou outro programa de formação profissional com vista a qualificar a população portuguesa. Não quero acreditar sequer que isto seja um exemplo abundante por entre as opções disponíveis aos que procuram ajuda no IEFP. Mas aconteceu. E eu quis saber mais.
Há logo várias coisas que chamam a atenção: Equivalência escolar ao 9º ano, Saída Profissional: Jogador/a de Futebol. A coisa está dirigida ao público alvo com formação até ao 6º, 7º ano. Como qualquer jogador que se preze, apesar de não ser dito, tem de começar a ser formado relativamente cedo, presume-se que isto não seja para os que tenham tido o infortúnio de perder o emprego após vários anos na indústria têxtil.
Obviamente, a coisa é ridícula. Mas mais ridícula se torna quando se lê o Referencial de Formação do dito curso. A descrição geral está na imagem acima, mas embrenhemo-nos no documento. Num total de 825 horas, às quais “acrescem, em função da modalidade de desenvolvimento, as cargas horárias relativas às componentes de formação sociocultural, científica e prática em contexto real de trabalho” o que se pretende transmitir aos formandos é (atentai às precedências):
percursoformativo.jpg
Mais adiante, depois de uma belíssima prosa a descrever as metodologias de formação num género literário híbrido que combina o futebolês com o eduquês, podemos conhecer a fundo aquilo que vai ser ensinado aos petizes. Pede-se, por exemplo, no domínio do desenvolvimento físico que os formandos saibam “identificar e aplicar as manifestações de força e adequá-las às situações”, como por exemplo, “acelerar e travar”. Mas mais formativo, pelo menos para mim, é saber aquilo que se pretende ensinar no domínio da identificação e coordenação das reacções físicas de forma a responder a estímulos externos. Atentai, que eu desconhecia os vocábulos:

  • Coordenação óculo-pedal
  • Coordenação óculo-manual
  • Sensibilidade proprioceptiva do pé

Verifiquei no Houaiss, proprioceptivo é português e de alto gabarito! Já mandei o dicionário do computador aprender.
Mas há mais coisas que desconhecia, agora do domínio do desenvolvimento comportamental, mais especificamente na secção de saúde física. Desconhecia que um jogador de futebol necessitasse de estar ao corrente de temas como bioquímica da nutrição, bioimpedância, antropometria do desportista (no seu caso específico, ou em jeito de teoria etnográfica), patogenia dos desequilíbrios alimentares. Se isto é ensinado na escola do Sporting, acho que o mínimo que a Universidade de Lisboa devia fazer é convidar o Cristiano para professor assistente assim que deixar a carreira desportiva.
Só que a coisa não se fica por aí. Há todo um manancial de sabedoria na parte de gestão de carreiras. Os futuros jogadores são instruídos nas artes de (e agora isto vai depressa que o texto já está longo): Elaboração de um plano de Marketing Pessoal, Imagem social do jogador, O marketing-mix da imagem, O re-posicionamento da imagem como técnica de marketing pessoal, Conceito e organização das relações públicas, Redigir e enviar uma comunicação, Organizar uma sessão de fotografias, entrevista na rádio, entrevista na televisão, Elaboração do orçamento pessoal, Gestão da poupança, Aplicações sem risco, Aplicações com risco, Lei de bases do sistema desportivo, O empresário/agente – Regulamentação da actividade, Sociedade anónima desportiva – SAD, Contratos-programa de desenvolvimento desportivo, Espectáculos desportivos, Legislação laboral, Noções jurídicas da relação profissional de jogador/ clube de futebol, Suspensão do contrato de trabalho, Operações de crédito passivo, Reforma e cobrança de letras, Interpretação dos títulos de crédito, terminando com vinte e cinco horas de História do Futebol. Chiça!
Tomara que todos nós, aspirando a jogadores de futebol ou não, tivéssemos alguém que nos ensinasse tanta coisa! Eu ficava contente só com uma hora em que me fosse explicado o Modelo B e quais os benefícios fiscais que me são relevantes. E um bocadinho de gestão de poupança no liceu também tinha ajudado.
De qualquer forma, aqui fica o ficheiro. Aprendam como se organizam um curso e com sorte o IEFP paga-vos como formadores! Ide e jogai em paz.


ACTUALIZAÇÃO
Ao que parece, o curso não chegou a ter lugar. Menos mal. Mas espero que tenham ensinado às crianças, pelo menos, umas noções de Suspensão do contrato de trabalho.

Boa Tarde,
Em resposta à sua questão, informamos que a acção de Prática Desportiva de Futebol que estava prevista para Dezembro de 2007 não veio a ser posta em prática. O referencial de formação com data de Outubro de 2007 também foi retirado da grelha.
Com os melhores cumprimentos,
Centro de Emprego e Formação Profissional da Guarda
Delegação Regional Centro

5 de março de 2009

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